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Greenwashing na indústria: como diferenciar sustentabilidade comprovada de promessas ambientais?

O greenwashing, prática de comunicar benefícios ambientais sem comprovação técnica, raramente nasce de uma mentira deliberada. Na maior parte dos casos, começa com uma palavra solta na embalagem, como “ecológico”, “verde” ou “sustentável”, que ninguém na cadeia consegue explicar em termos técnicos ou comprovar.

Esse problema tem dimensão mensurável. Um levantamento da Comissão Europeia concluiu que 53% das alegações ambientais analisadas no bloco eram vagas, enganosas ou infundadas, e que 40% não apresentavam qualquer evidência de suporte. O mesmo levantamento identificou cerca de 230 selos de sustentabilidade em circulação, com níveis de transparência muito diferentes entre si.

Para quem fabrica ou fornece materiais para embalagens, esse dado tem uma consequência direta. Quando a maior parte das alegações no mercado não resiste à verificação, o consumidor passa a desconfiar de todas elas, inclusive das que têm respaldo técnico real. Essa desconfiança do consumidor em relação a produtos ecológicos acaba recaindo sobre toda a cadeia, e empresas que investem em tecnologia de verdade passam a ser avaliadas com o mesmo ceticismo.

Por isso, no post de hoje, vamos entender o que caracteriza o greenwashing, como as regulações europeia e brasileira estão tratando o tema em 2026 e que critérios ajudam a separar prova de promessa ambiental.

O que caracteriza o greenwashing na prática

O greenwashing costuma ser mais sutil do que a imagem de má-fé explícita sugere. Ele aparece não como uma mentira evidente, mas como uma lacuna entre o que a embalagem promete e o que a empresa consegue provar.

Os casos mais frequentes envolvem termos genéricos sem qualificação, como uma embalagem descrita apenas como “sustentável” sem dizer em que sentido. Também aparecem benefícios parciais tratados como se valessem para o produto inteiro, selos criados pela própria empresa sem verificação de terceiros, e obrigações legais apresentadas como se fossem esforços ambientais voluntários.

Além desses casos, há um ponto técnico que costuma passar despercebido. Palavras como “biodegradável” ou “compostável” só têm valor quando vêm acompanhadas da norma utilizada e das condições em que o processo ocorre. Sem essa informação, até uma tecnologia legítima pode ser comunicada de forma imprecisa, um risco que o debate sobre bioplásticos já deixou evidente.

A regulação está fechando o espaço para alegações vagas

Na Europa, a virada tem data marcada. A Diretiva (UE) 2024/825, que trata da capacitação dos consumidores para a transição verde, passa a ser aplicada em 27 de setembro de 2026 em todos os países do bloco. A partir dela, alegações ambientais genéricas sem comprovação e selos que não estejam baseados em um sistema de certificação reconhecido passam a ser considerados práticas comerciais desleais.

A norma se aplica à comunicação com o consumidor final, mas seus efeitos chegam rapidamente aos fornecedores. Manter uma alegação na embalagem passa a exigir documentação técnica, e é justamente a indústria que produz os materiais que fornece essa documentação.

No Brasil, o movimento segue na mesma direção. Em outubro de 2025, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) revisou o artigo 36 e o Anexo U do seu código, que tratam de apelos de sustentabilidade. As novas regras exigem que as informações ambientais sejam verdadeiras, precisas e comprováveis, e que termos técnicos e científicos sejam usados de acordo com suas definições consolidadas (Fonte: Portal Analise).

Critérios que separam comprovação de promessa

Avaliar uma alegação ambiental exige menos intuição e mais método, a começar pela especificidade da própria alegação.

Uma alegação confiável diz qual atributo está sendo comunicado, a qual parte da embalagem ele se refere e em que condições se aplica, em vez de generalizar um benefício pontual para o produto inteiro. Ela também costuma indicar a norma técnica usada para medir o desempenho, o que permite que qualquer comprador compare resultados de forma objetiva.

Quem fez a verificação pesa tanto quanto o dado em si. Ensaios conduzidos por laboratórios independentes têm peso muito diferente de uma autodeclaração, e foi justamente essa distinção que a regulação europeia passou a exigir dos selos de sustentabilidade.

Além da verificação, o acesso à informação completa o quadro. As sacolas com QR Code distribuídas pelo Pão de Açúcar são exemplos que mostram isso de forma concreta, já que pelo celular o consumidor acessa os dados técnicos do material que tem em mãos.

Na RES Brasil, a alegação começa no laboratório

As tecnologias da RES Brasil são comunicadas a partir de ensaios, normas e verificação independente. O d2w™, por exemplo, torna o plástico biodegradável conforme a norma internacional ASTM D6954. Seu comportamento no ambiente marinho foi avaliado no Projeto ANR-OXOMAR, financiado pela Agência Nacional de Pesquisa da França ao longo de mais de quatro anos.

Essa lógica se estende às demais Soluções de Inteligência Plástica da empresa, que chegam ao cliente acompanhadas de laudos e certificações capazes de sustentar o que a embalagem comunica.

Com mais de 25 anos de atuação, a RES Brasil entende que sustentabilidade só se torna argumento quando pode ser verificada por quem compra, por quem regula e por quem consome.

Quer revisar as alegações ambientais das suas embalagens com base técnica? Fale com a nossa equipe e conheça as evidências por trás de cada tecnologia.