Plásticos em Revista: Confira a entrevista de Eduardo Van Roost

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Eduardo Van Roots: diretor da Res Brasil, agente da Symphony, fabricante de aditivos como oxibiodegradável e antiviral.

Recorro à História como antídoto ao negacionismo em relação aos plásticos. No século 19, a questão de lavar as mãos quase inexistia. Os hospitais, as conhecidas ‘Casas de Morte’, eram espaços em que doentes ficavam amontoados, em salas pouco ventiladas, sem acesso a higiene e água limpa. Naquela época, ir a um hospital era quase uma sentença de morte. Foi o que observou em 1846 Ignaz Semmelweis, recém-nomeado assistente do diretor e residente-chefe da Clínica de Maternidade do Hospital Geral de Viena. O médico húngaro conduziu o primeiro estudo experimental relacionando a doenças a falta de higienização das mãos e de equipamentos. Semmelweis ordenou que todos lavassem as mãos com uma solução de cal clorado antes de realizar qualquer exame e observou, em poucos meses, a taxa de mortes cair drasticamente. Hoje em dia, a relação entre doenças e contaminação por micro-organismos é reconhecida como problema de saúde pública e um desafio global pela Organização Mundial da Saúde. Nos meados do século 19, a recomendação de Semmelweis de que os médicos deveriam lavar as mãos e os instrumentos cirúrgicos enfrentou oposição.

Alguma semelhança com a situação atual dos descartáveis plásticos?

Atributos de higiene, praticidade e custo reduzido deram origem a diversos produtos e foram as pessoas que entenderam que alguns deles são descartáveis. Algumas destas vantagens desapareceu nos dias de hoje? Óbvio que não, muito ao contrário. As pessoas entendem que aquilo que usam em contato com a boca e outras partes do corpo com fluídos e secreções não deve ser usado por terceiros; deve ser descartado e daí o termo descartável.

Os mesmos produtos em papel, metal, vidro, madeira enfrentam oposição? Parece que não. O problema não é o termo descartável, mas as falsidades sobre o material plástico que são mais rápida e profundamente difundidas do que a verdade. A maioria das informações que recebemos das mídias sociais é falsa. As mentiras são mais excitantes do que a realidade e, quanto mais repetidas, mais as pessoas acreditam nelas.

Plásticos representam apenas 0,5% das matérias-primas que usamos e 0,4% do lixo que geramos. O que significa que 99,5% são outras matérias-primas e 99,6% do lixo que geramos não são plásticos. Ao contrário, o plástico reduz o lixo que geramos. Mas estas informações são ignoradas nas campanhas contra o plástico, forçando a sua substituição por materiais muito mais impactantes para o meio ambiente e, muitas vezes, não recicláveis.

A classificação de um produto descartável está na mente das pessoas, independente do material. A meu ver, mudanças na rotulagem ressaltando as qualidades de higiene, praticidade, economia e, em especial, a reciclabilidade, podem ajudar, mas não resolvem o mal-entendido. Mais do que uma mudança de classificação, é preciso contrapor com fatos o lobby dos compostáveis que patrocinam ONGs e fundações antiplásticos, como a Ellen MacArthur, somado à força de convencimento que os outros materiais possuem junto a influenciadores. Se isso não acontecer, quais serão os próximos plásticos a serem banidos por leis ou rejeitados pelas pessoas?

Fonte: Plástico em Revista