Por que o lixo hospitalar é tão perigoso?

lixo-hospitalar-blog

Os resíduos do serviço de saúde (RSS), comumente conhecidos como lixo hospitalar, é o nome que recebe todos os objetos e resíduos descartados proveniente de hospitais e ações médicas em unidades de prestação de serviço de saúde, de prevenção, diagnóstico, reabilitação, tratamento e investigação relacionados a seres humanos ou animais. Alguns materiais também podem ser encontrados em centros de pesquisas e centros farmacêuticos.

Esses resíduos são divididos em sólidos, em estado sólido ou semissólido e líquidos com propriedades que tornam inviável seu envio ao esgoto da rede pública.

A grande polêmica do lixo hospitalar é o fato de representar uma fonte de contaminação aos seres humanos e ao meio ambiente. Para que isso seja evitado, é necessária a adoção de técnicas específicas adequadas para o manejo dos diferentes resíduos. De acordo com um estudo feito pelo Hospital Albert Einstein, o maior risco desse tipo de lixo é o lixo infectante, que é caracterizado pela presença de sangue, secreções, tecidos, órgãos, além de material proveniente de áreas de isolamento (como o que acontece com os pacientes do COVID-19). A contaminação do meio ambiente por esses agentes é irreversível.

Para tentar frear a contaminação, existe no Brasil a obrigatoriedade de cada serviço de saúde ter seu Plano de Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS), que é um documento que descreve as ações necessárias para o manejo de resíduos provindos dos hospitais e instituições.

Segundo a Resolução RDC nº 33/03 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os resíduos hospitalares são classificados em 5 tipos: 

  • Grupo A (potencialmente infectante): resíduos com a possível presença de agentes biológicos. São os mais perigosos, pois representam grande risco de contaminação. Nesse grupo existem também subgrupos de acordo com as características dos resíduos. Ex.: Sangue, tecidos, órgãos, resíduos provenientes de áreas de isolamento, objetos perfurocortantes utilizados, etc.

 

  • Grupo B (químicos): resíduos químicos com risco de contaminação ao meio ambiente ou à saúde.

 

  • Grupo C (radioativos): qualquer material resultante de atividades humanas que contenham radionuclídeos e para os quais a reutilização é imprópria.

 

  • Grupo D (resíduos comuns): resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. Ex.: fraldas, papéis sanitários, peças de vestuário e restos de alimentos de pacientes.

 

  • Grupo E (perfurocortantes): objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontas ou protuberâncias rígidas e agudas, capazes de cortar ou perfurar.

 

DESCARTE DO LIXO HOSPITALAR

Ainda de acordo com o estudo feito pelo Hospital Albert Einstein, o lixo infectante deve estar separado do restante do lixo hospitalar. No entanto, essa prática não é comum nos hospitais brasileiros e mundiais. 

A prática mais comum é a incineração de lixo hospitalar infectante, porém isso gera a liberação de cinzas e gases contaminados com substâncias nocivas à atmosfera, o que pode ser pior do que os resíduos em si. A esterilização é uma alternativa válida, porém pouco utilizada. A vala asséptica também é uma opção, mas a necessidade de um grande espaço para isso limita o processo.

Lembrando que medicamentos e itens de saúde de uso doméstico também devem ser descartados de forma correta em locais específicos.

 

Fonte:  ANVISA

Jornal Estadão

ecycle.com.br