Os microplásticos já chegaram ao intestino humano

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Que o plástico está presente em nosso cotidiano todo mundo sabe, é só olhar para celulares, computadores, embalagens de alimentos, embalagens de remédios, etc.

Mas o que nem todo mundo imagina é que os microplásticos também estão presentes no ar que respiramos, em alimentos como o sal ou a cerveja e até na água que bebemos.

Cerca de 83% da água de torneira do mundo inteiro está contaminada com microplásticos. Um estudo encontrou as pequenas partículas até na água engarrafada.

Risco a saúde

O microplástico, quando presente no ambiente, atua como captador de poluentes orgânicos persistentes (POPs) altamente nocivos. Dentre esses poluentes estão os PCBs, os pesticidas organoclorados, o DDE e o nonifenol.

Os POPs são tóxicos e estão diretamente ligados a disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas. Eles ficam durante muito tempo no ambiente e, uma vez ingeridos, têm a capacidade de se fixarem na gordura do corpo, no sangue e nos fluidos corporais de animais e humanos.

Os microplásticos já chegaram ao intestino humano

Um estudo-piloto demonstra que as fezes das pessoas de vários países continham partículas de uma dezena de plásticos.

O estudo, apresentado em um congresso de gastroenterologia em Viena (Áustria), contou com a participação de oito voluntários do mesmo número de países, entre os quais estão, além dos mencionados, Finlândia, Polônia, Holanda e a própria Áustria. Durante uma semana eles tiveram que comer e beber como de costume, anotando tudo o que ingeriam, se era fresco e o tipo de embalagem da comida. Depois disso, pesquisadores da Universidade Médica de Viena e da agência estadual do meio ambiente do país dos Alpes coletaram amostras de suas fezes.

Os resultados mostram que, dos 10 plásticos pesquisados, nove foram encontrados. Os mais comuns eram o propileno, básico em embalagens de leite e sucos, e o PET, com o qual é feita a maioria das garrafas plásticas.

Os pesquisadores encontraram 20 microplásticos para cada 10 gramas de matéria fecal. De acordo com o diário dos participantes, sabe-se que todos consumiram algum alimento embalado e pelo menos seis comeram peixe. Mas a pesquisa não conseguiu determinar a origem das partículas encontradas nas amostras.

“É o primeiro estudo deste tipo e confirma o que suspeitamos há algum tempo, que os plásticos chegam ao intestino”, disse em nota o gastroenterologista e hepatologista Philipp Schwabl, da Universidade Médica de Viena, principal autor do estudo.

“Embora em estudos com animais a maior concentração de plásticos tenha sido localizada no intestino, as menores partículas de microplástico podem entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e até alcançar o fígado”, acrescenta, concluindo que é urgente investigar o que isso implica para a saúde humana.

Plásticos biodegradáveis não geram microplásticos e sim resultam em água, biomassa e dióxido de carbono. Saiba mais