Abril de 2005
Água na fervura
Em
fases como a atual, de alta persistente no preço do petróleo
conjugada com ciclo de margens douradas na petroquímica sempre
recrudesce o falatório pró-materiais alternativos. Até
o passado recente esses rumores eram desconsiderados como ecodevaneios
na cadeia do plástico. Mas agora o jogo endurece, pois resinas
de fontes renováveis estão ganhando escala de massa
e, por tabela, seus custos mostram-se mais competitivos com termoplásticos
derivados de uma matéria-prima dita fóssil e finita,
que tem flutuado na órbita de US$ 50 o barril. O mais estridente
megafone deste alerta é a água mineral premium Biota,
produzida nos EUA, e cuja garrafa soprada com ácido poliláctico
(PLA) extraído do milho singra em seu primeiro ano de rua com
credenciais vip completas – aprovação pela norma
de Biodegradação ASTM 6400, ok da agência reguladora
Food and Drugs Administration (FDA) e certificação como
único frasco e das raras embalagens em contato humano com aval
do Biodegradable Products Institute (BPI).
Projeto ruminado por volta de 12 anos e com vendas ativadas em novembro
último, a água Biota além da profissão
de fé ecológica, vingou pela oportunidadede de mercado
entrevista por David Zutler, dirigente do milionário empreendimento
no Colorado. A fresta foi flagrada no mega-descarte de garrafas de
água nos EUA, da ordem de 40 bilhões de litros diários,
e menos de 15% desse volume é hoje reciclado, pois tal atividade
não é tida ali como rentável. A embalagem biodegradável
de Biota, de marca registrada Planet Friendly, é brandida assim
por Zutler como um desafogo ambientalmente correto e viável
para o problemaço dessas garrafas de termoplásticos
que não se desintegram nos aterros e monturos nos EUA.
Biota embute uma operação bem concatenada que abre com
a coleta e transporte de puríssima água de minas ocultas
nas montanhas do Colorado. Ela é envasada em três modelos
de garrafas transparentes e moldadas com bioplímero –
o ácido poliláctico (PLA) extraído de milharais
em Minessota pela empresa Nature Works LLC, controlada da Cargill,
grupo às do agribusiness global. Na empresa parceira Alpha
Packaging, o PLA é injetado como pré-formas que, a seguir,
passam na unidade próxima da Biota, pelo sopro com estiramento
(stretch blow molding) em equipamento SIG Série III, explica
Zutler. Ele assinala que suas garrafas recicláveis pesam 25%
mais que rivais em PET, cuja espessura-padrão Zutler acha demasiado
fina e causadora de trincas. Além disso, fustiga, a garraf
de PLA não tem o risco de migração de acetaldeído,
uma preocupação no sopro do poliéster, cujas
temperaturas de processo também superam os índices do
biopolímero, ele fecha.
PLA também está no filme biorientado do qual resulta
o rótulo de Biota, impresso por flexo em oito cores. Apenas
a tampa da garrafa não é biodegradável, admite
o empresário, mas seguem os desenvolvimentos para transpor
sua injeção para biopolímeros. Quanto à
degradação, a garrafa de PLA se desintegra em cerca
de 12 semanas sob constante e prolongada exposição a
alta temperatura (120-140° F), elevada umidade e microorganismos
para iniciar a decomposição.
Sem abrir volumes, ele comenta que o custo de PLA se aproxima dos
preços das resinas destinadas a água mineral. “
Nossa garrafa tem participação aproximada de 25% nos
custos de produção de Biota.” Mas Zutler libera
os preços para o varejo: U$1,79 na versão de litro;
U$1,19 para 500ml e U$0,99 para a versão em 12 onças.
Hoje em dia, Biota é encontrada apenas na nata dos supermercados,
restaurantes e lojas de gastronomia dos EUA. Mas o dirigente confia
que, sob o astral da conscientização ambiental do consumidor,
sua água deve despontar logo em meio ao mercado de massa hoje
assediado por cerca de 60 marcas nos EUA.
Corte para o Brasil: a subsidiária da Cargill já confirma,
sem data prevista, que planeja trazer a tecnologia de produção
de PLA para o reduto nacional de milho.
http://www.biotaspringwater.com
Fonte:
Revista Plásticos em Revista 04/2005