18 de Julho de 2005
Enquete revela baixa iniciativa
para a coleta seletiva no Brasil
Os resultados de uma enquete realizada pelo Instituto
Akatu pelo Consumo Consciente revelam que os serviços de coleta
seletiva ainda estão longe do dia-a-dia de grande parte dos
brasileiros. Mais de 40% dos cerca de 1.400 internautas que responderam
ao questionário afirmaram que não dispõem de
coleta seletiva nas regiões em que vivem. Por conta disso,
26% desse grupo revelaram que não separam o lixo para reciclagem.
Os dados, levantados entre fevereiro e junho deste
ano, corroboram o panorama divulgado pelo IBGE - Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística em 2004: a coleta seletiva ainda
é incipiente no Brasil. A pesquisa do IBGE mostrou que apenas
2% do lixo produzido no país é coletado seletivamente,
enquanto somente 6% das residências são atendidas por
serviços de coleta seletiva, que existem em 8,2% dos municípios
brasileiros. Segundo o levantamento do Akatu, 31,4% dos internautas
encaminham o lixo para serviços municipais de coleta, enquanto
16,9% dirigem-se às cooperativas de catadores e 9,3%, a projetos
sociais.
A falta de coleta seletiva na maior parte das cidades
brasileiras representa, além de impacto negativo para o meio
ambiente, perda de recursos financeiros. Segundo cálculos do
economista Sabetai Calderoni, autor de "Os Bilhões Perdidos
no Lixo" (Ed. Humanitas, USP, 1997), só no ano de 1996
foram desperdiçados R$ 4,6 bilhões em lixo não
reciclado, o que, na época, correspondia a dinheiro suficiente
para construir cerca de 460 mil casas populares.
Ainda de acordo com o economista, a implantação
e a ampliação de programas de coleta seletiva nos municípios
podem render até R$ 135,00 por tonelada de lixo, dinheiro que
cobriria gastos operacionais e remuneração dos funcionários
envolvidos. Isso significaria também a diminuição
dos gastos das prefeituras com coleta, transporte, transbordo e disposição
final do lixo domiciliar não separado. Além de tudo,
a adesão da população à coleta seletiva
proporcionaria a obtenção de produtos recicláveis
com menor grau de impurezas, o que elevaria seu valor de mercado.
(Akatu/ EcoAgência)
Mônica
Pinto
Fonte:
Portal Ambiente Brasil - parcial - 10/06/2005