20 de Janeiro 2005

Atração fatal

Setor de cosméticos investe em designs inovadores para
conquistar o consumidor e fortalecer marcas


A arte de interpretar e representar não é exclusividade dos atores. Quando se fala em design, a mesma inspiração é esperada. O talento do artista é reconhecido quando o produto fala por si. Em cosméticos, alia-se a isso sofisticação e praticidade. O segmento brasileiro de embalagens para produtos cosméticos tem conquistas importantes no cenário internacional. Prêmios, qualificações e até Oscar fazem parte da coleção de homenagens. “O Brasil não deve tecnologia e conhecimento em embalagens para nenhum país, possuímos um avanço considerável no mercado internacional”, afirma Fábio Mestriner, presidente da ABRE – Associação Brasileira de Embalagens.

Segundo Mestriner, em 2003, o valor total da produção do segmento de embalagens no Brasil foi de R$ 23,7 bilhões. Em cosméticos, o Brasil detém mais de 40% do mercado latino-americano. Junto com limpeza doméstica e medicamentos, o setor cosmético representa 30% do consumo nacional de embalagens.
O bom desempenho das embalagens em higiene e beleza impulsiona o desenvolvimento de inovações. Na opinião do presidente, essas evoluções começaram em 1989, quando a Revlon lançou uma linha de xampus que trazia em suas embalagens informações mais refinadas, design específico e preocupação cosmética. Para ele, outro marco de inovação foi a introdução da tampa flip top na década passada. Hoje, a grande sensação é a membrana de silicone que permite virar o frasco de cabeça para baixo sem o produto escorrer.

Reciclagem – Dentro do aspecto inovação, hoje se insere uma preocupação com a reutilização de materiais. Nos refrigerantes, por exemplo, é cada vez maior a preferência pela lata. Embora o vidro seja 100% reciclável, o alumínio confere mais praticidade para reciclar. Na ABRE, existe um comitê de meio ambiente que, segundo o presidente da associação, propôs ao atual governo o estabelecimento de um programa de reciclagem que articulará com três agentes responsáveis: sociedade civil (separação), poder público (coleta) e indústria de embalagens (reciclagem).

No Brasil, diariamente, são produzidas aproximadamente 150 mil toneladas de lixo. Do que é coletado, grande parte é depositada sem tratamento nos chamados lixões. Hoje, a média de geração de resíduos domiciliares por habitante é de 0,67 kg/hab/dia, sendo que na cidade de São Paulo/SP são 12 mil ton/dia e no Rio de Janeiro/RJ, 6 mil ton/dia.

Impacto ambiental – Um exemplo de como a reciclagem pode ser vantajosa vem da Natura. Segundo Renato Wakimoto, gerente de desenvolvimento de embalagens, a empresa busca materiais que causem menor impacto ambiental. Como exemplo, o executivo cita a substituição, em 2002, do plástico das sacolas de presente pelo papel 100% reciclado. “Esse projeto teve investimentos de R$ 3 milhões e reduziu em 22% o impacto ambiental”, afirma. O papel escolhido para substituir o plástico, o Reciclato, é produzido com 75% de resíduos inutilizados da indústria e 25% de resíduos urbanos.
Essa medição ambiental é feita pela Análise do Ciclo de Vida (ACV), ferramenta criada há dois anos que quantifica o impacto ambiental gerado pela extração dos recursos retirados da natureza e pelo o que é devolvido ao meio ambiente na forma de resíduos, emissões e efluentes durante todos os processos envolvidos na fabricação e disposição de todos os produtos.

Plástico biodegradável – De acordo com Wakimoto, a ACV detectou alto impacto ambiental causado pelos sacos plásticos, o que levou a Natura a adotar tecnologia européia para produção de saco plástico biodegradável. “Basta fazer as contas: enquanto um saco plástico comum demora cerca de 100 anos para se decompor no ambiente, um saco plástico biodegradável inicia esse processo em apenas 62 dias, em determinadas condições”, diz. O saco plástico biodegradável tem uma estrutura molecular que acelera sua degradação.

A nova embalagem é usada em 40% das caixas que saem todos os dias da fábrica da Natura, que consome cerca de 3 milhões de sacos anualmente. Com essa nova política, a Natura afirma ter aumentado em 5% seus gastos com embalagens. O executivo confirma que a empresa deverá nos próximos anos substituir todas as embalagens atuais de plástico por materiais biodegradáveis. Segundo ele, utilizar refis também contribui para a diminuição dos resíduos sólidos. “Comercializamos cerca de 15 milhões de refis por ano”.

Informação complementar:

As embalagens biodegradáveis atualmente utilizadas pela Natura são fabricadas com tecnologia e materiais RES Brasil D2W

Fonte: H&C - Household e Cosméticos
Ano V nº24