A
arte de interpretar e representar não é exclusividade
dos atores. Quando se fala em design, a mesma inspiração
é esperada. O talento do artista é reconhecido quando
o produto fala por si. Em cosméticos, alia-se a isso sofisticação
e praticidade. O segmento brasileiro de embalagens para produtos cosméticos
tem conquistas importantes no cenário internacional. Prêmios,
qualificações e até Oscar fazem parte da coleção
de homenagens. “O Brasil não deve tecnologia e conhecimento
em embalagens para nenhum país, possuímos um avanço
considerável no mercado internacional”, afirma Fábio
Mestriner, presidente da ABRE – Associação Brasileira
de Embalagens.
Segundo Mestriner, em 2003, o valor total da produção
do segmento de embalagens no Brasil foi de R$ 23,7 bilhões.
Em cosméticos, o Brasil detém mais de 40% do mercado
latino-americano. Junto com limpeza doméstica e medicamentos,
o setor cosmético representa 30% do consumo nacional de embalagens.
O bom desempenho das embalagens em higiene e beleza impulsiona o desenvolvimento
de inovações. Na opinião do presidente, essas
evoluções começaram em 1989, quando a Revlon
lançou uma linha de xampus que trazia em suas embalagens informações
mais refinadas, design específico e preocupação
cosmética. Para ele, outro marco de inovação
foi a introdução da tampa flip top na década
passada. Hoje, a grande sensação é a membrana
de silicone que permite virar o frasco de cabeça para baixo
sem o produto escorrer.
Reciclagem
– Dentro do aspecto inovação, hoje se insere uma
preocupação com a reutilização de materiais.
Nos refrigerantes, por exemplo, é cada vez maior a preferência
pela lata. Embora o vidro seja 100% reciclável, o alumínio
confere mais praticidade para reciclar. Na ABRE, existe um comitê
de meio ambiente que, segundo o presidente da associação,
propôs ao atual governo o estabelecimento de um programa de
reciclagem que articulará com três agentes responsáveis:
sociedade civil (separação), poder público (coleta)
e indústria de embalagens (reciclagem).
No Brasil, diariamente, são produzidas aproximadamente 150
mil toneladas de lixo. Do que é coletado, grande parte é
depositada sem tratamento nos chamados lixões. Hoje, a média
de geração de resíduos domiciliares por habitante
é de 0,67 kg/hab/dia, sendo que na cidade de São Paulo/SP
são 12 mil ton/dia e no Rio de Janeiro/RJ, 6 mil ton/dia.
Impacto
ambiental – Um exemplo de como a reciclagem pode ser vantajosa
vem da Natura. Segundo Renato Wakimoto, gerente de desenvolvimento
de embalagens, a empresa busca materiais que causem menor impacto
ambiental. Como exemplo, o executivo cita a substituição,
em 2002, do plástico das sacolas de presente pelo papel 100%
reciclado. “Esse projeto teve investimentos de R$ 3 milhões
e reduziu em 22% o impacto ambiental”, afirma. O papel escolhido
para substituir o plástico, o Reciclato, é produzido
com 75% de resíduos inutilizados da indústria e 25%
de resíduos urbanos.
Essa medição ambiental é feita pela Análise
do Ciclo de Vida (ACV), ferramenta criada há dois anos que
quantifica o impacto ambiental gerado pela extração
dos recursos retirados da natureza e pelo o que é devolvido
ao meio ambiente na forma de resíduos, emissões e efluentes
durante todos os processos envolvidos na fabricação
e disposição de todos os produtos.
Plástico
biodegradável – De acordo com Wakimoto, a ACV detectou
alto impacto ambiental causado pelos sacos plásticos, o que
levou a Natura a adotar tecnologia européia para produção
de saco plástico biodegradável. “Basta fazer as
contas: enquanto um saco plástico comum demora cerca de 100
anos para se decompor no ambiente, um saco plástico biodegradável
inicia esse processo em apenas 62 dias, em determinadas condições”,
diz. O saco plástico biodegradável tem uma estrutura
molecular que acelera sua degradação.
A nova embalagem é usada em 40% das caixas que saem todos os
dias da fábrica da Natura, que consome cerca de 3 milhões
de sacos anualmente. Com essa nova política, a Natura afirma
ter aumentado em 5% seus gastos com embalagens. O executivo confirma
que a empresa deverá nos próximos anos substituir todas
as embalagens atuais de plástico por materiais biodegradáveis.
Segundo ele, utilizar refis também contribui para a diminuição
dos resíduos sólidos. “Comercializamos cerca de
15 milhões de refis por ano”.