O
Eco Natal é mais um evento, dentro do projeto Limpeza na Praia,
que tem o claro objetivo de ajudar a diminuir um dos maiores problemas
ambientais da atualidade, representado pelas crescentes montanhas de
resíduos produzidos pelas sociedades modernas de consumo.
Os oceanos estão cheios de detritos sólidos, que não
só deixam os litorais e praias sujos e poluídos como,
principalmente, podem provocar uma significativa mortandade de inocentes
animais marinhos. Todos nós sabemos que a solução
a longo prazo é diminuir a quantidade de resíduos produzidos
ou mesmo consumidos. O Eco Natal, que une voluntários de todas
as idades e dos mais diversos setores da sociedade, empresários
e governantes, é a oportunidade de participação
comunitária em ações imediatas e locais de limpeza
que contribuem para minimizar no curto prazo o impacto dos resíduos
sólidos e suas consequências danosas para o ambiente e
para a fauna marinha.
Os voluntários fazem mais do que simplismente catar o lixo nas
praias, rios e lagoas. Quase dois terços de todo o lixo que é
encontrado pelos voluntários é algum tipo de detrito não
degradável a curto prazo. São canudinhos, pontas de cigarro,tampinhas,
sacos plásticos, chinelos. Tudo largado na areia, representando
para a fauna marinha o maior percentual de materiais ambientalmente
perigosos.
Resto de redes, linhas de pesca, cordas e sacos plásticos abandonados
no mar permanecem nesse ambiente por muitos anos, por sua baixa biodegradabilidade,
e acabam vitimando inúmeros animais que se enroscam e acabam
morrendo por asfixia ou por inanição. Peixes, aves, focas,
tartarugas e golfinhos podem confundir os detritos que ficam bioando
no mar com lulas, aguás-vivas e outros alimentos que formam parte
de sua dieta. Golfinhos já foram encontrados com o estômago
cheio de lixo que veio das cidades.
A ponta de cigarro, item mais coletado no mundo todo por oito anos consecutivos,
tem ocasionado a morte de inúmeros animais que a confundem com
ovas de peixe e a engolem. O mesmo o corre com os sacos plásticos.
Um saco plástico a deriva no mar é facilmente confundido
com uma água-viva, componente alimentar de várias espécies
de tartarugas marinhas. Engolindo um saco plástico, a tartaruga
pode morrer por asfixia.
Identificar as fontes de poluição, dar conhecimento à
população dos riscos dos resíduos nos ambientes
aquáticos e tentar pressionar os governos a adotar medidas de
controle são importantes metas deste evento, que é de
todos nós.
Deixando de jogar lixos nas praias, mares, rios e lagoas, ao mesmo tempo
que ajudamos na limpeza desses ambientes, retirando os detritos sólidos
descartados de forma irregular, podemos vislumbrar dias melhores para
o ambiente marinho e para nós mesmos. Afinal, quem não
gosta de chegar a uma praia, respirar o ar fresco, pisar na areia branca
e mergulhar na água limpa.
Fonte:
Boletim Informativo Instituto
Aqualung
Nº 58 - Ano X - Novembro / Dezembro de 2004, Pág 08