O
sucesso das sacolas plásticas oxi-biodegradáveis que vêm
deslanchando no Brasil desde o segundo semestre de 2003, levou a RES
Brasil, de Campinas (SP), a planejar a abertura de uma nova unidade.
A empresa prevê aplicar R$ 3 milhões na construção
de uma unidade dos aditivos simples EMc e concentrado 2EM, responsáveis
pela oxi-biodegradação do plástico. As obras devem
começar em fevereiro de 2005.
A
meta da companhia, que hoje importa e distribui no Brasil os aditivos
da Synphony, detentora da tecnologia de processo D2W para os aditivos,
é produzir 100 toneladas/mês, ocupando integralmente a
capacidade instalada inicial, que em projeto nasce para ser expandida
até 300%. As matérias-primas para produção
são resíduos de refino de petróleo(carbonos), disponíveis
no Brasil.
O
diretor-superintendente da RES Brasil, Eduardo von Roost, negocia com
suas 21 licenciadas a criação de uma associação
para empreender a instalação da unidade, entre as quais
Nobelplast, Antilhas, Sol Embalagens, Zaraplast, Diadema, Abaplast e
Incoplast.
Da
produção inicial, 40 t/mês serão vendidas
no mercado interno, no valor estimado de US$ 6 milhões. Os demais
60% seguirão para outros países das Américas do
Sul e Central, África do Sul e Ásia. As exportações
são estimadas em US$ 6 milhões anuais. Ou seja, além
de substituir as importações no mercado interno, a RES
Brasil passará a exportadora da especialidade química.
"A produção local reduzirá o preço
em até 15% para o mercado interno em comparação
com os custos do material importado", afirma von Roost.
Segundo
ele, a previsão é de que as vendas fechem este ano em
24 toneladas. "O salto projetado para 2005 parece grande, mas é
factível. Em 2003 vendemos apenas 4 toneladas de aditivos",
justifica o empresário. Em apenas oito meses, a RES Brasil saiu
do zero em participação nas embalagens para 800 toneladas
de sacolas oxi-biodegradáveis.
O
primeiro cliente foi a indústria paranaense de cosméticos
O Boticário, em outubro de 2003. Mas a saga da companhia em busca
de indústrias de
embalagens que aderissem ao produto foi iniciada em 1997. Há
quatro anos, a RES Brasil negociou o produto com supermercados, mas
nenhuma operação foi concretizada.
Agora,
no rastro do pioneiro Pão de Açúcar, que lançou
as sacolas biodegradáveis há menos de um mês, outras
duas redes varejistas estudam utilizar a solução. Além
das sacolas para supermercados, os aditivos compõem embalagens
plásticas rígidas, talheres plásticos descartáveis
e outros produtos.
Oxi-biodegradável
O
termo oxi-biodegradável quer dizer que a ação do
aditivo faz com que a sacola se degrade em 18 meses, desde que exposta
a quatro fatores: estresse de manuseio, incidência solar de raios
ultravioleta, calor e umidade. "Em um aterro sanitário,
a sacola se degrada mais facilmente do que seria o caso do plástico
comum", assinala o diretor-executivo da Nobelplast, Beni Adler.
Ele
explica que o aditivo da RES Brasil quebra as cadeias de carbono que
formam o plástico, de forma que os microorganismos consigam se
alimentar dos carbonos (fungos e bactérias são compostos
de carbono e água). O processo de oxi-biodegradação
libera ao final água, carbono e biomassa.
Modo de usar
O
aditivo simples é utilizado na proporção de 3%
ou a 1,5% em sua forma concentrada, na formulação das
resinas polietileno, polipropileno, polietileno tereftalato (PET) e
poliestireno, para a transformação em diversos produtos.
O produto está em teste para uso em poliestireno expandido (o
popular isopor), e já tem aprovação para formulação
de plástico BOPP (polipropileno biorientado), usado na fabricação
de embalagens para alimentos. Von Roost revela que empresas brasileiras
já exportam embalagens flexíveis oxi-biodegradáveis
para todo o mundo.
A
unidade da RES Brasil será a única licenciada da Synphony
na América do Sul. "Escolhemos Campinas pela proximidade
do aeroporto de Viracopos, de um bom sistema rodoviário, de universidades
e do pólo de desenvolvimento tecnológico, além
da rapidez para locomoção, o que não existe na
capital paulista, explica von Roost.
Fonte: Agência
Estado / AE Setorial
Jornalista: Viviane Mottin