30 de Setembro de 2004

RES Brasil produzirá no País aditivo
oxi-biodegradável

O sucesso das sacolas plásticas oxi-biodegradáveis que vêm deslanchando no Brasil desde o segundo semestre de 2003, levou a RES Brasil, de Campinas (SP), a planejar a abertura de uma nova unidade.
A empresa prevê aplicar R$ 3 milhões na construção de uma unidade dos aditivos simples EMc e concentrado 2EM, responsáveis pela oxi-biodegradação do plástico. As obras devem começar em fevereiro de 2005.

A meta da companhia, que hoje importa e distribui no Brasil os aditivos da Synphony, detentora da tecnologia de processo D2W para os aditivos, é produzir 100 toneladas/mês, ocupando integralmente a capacidade instalada inicial, que em projeto nasce para ser expandida até 300%. As matérias-primas para produção são resíduos de refino de petróleo(carbonos), disponíveis no Brasil.

O diretor-superintendente da RES Brasil, Eduardo von Roost, negocia com suas 21 licenciadas a criação de uma associação para empreender a instalação da unidade, entre as quais Nobelplast, Antilhas, Sol Embalagens, Zaraplast, Diadema, Abaplast e Incoplast.

Da produção inicial, 40 t/mês serão vendidas no mercado interno, no valor estimado de US$ 6 milhões. Os demais 60% seguirão para outros países das Américas do Sul e Central, África do Sul e Ásia. As exportações são estimadas em US$ 6 milhões anuais. Ou seja, além de substituir as importações no mercado interno, a RES Brasil passará a exportadora da especialidade química. "A produção local reduzirá o preço em até 15% para o mercado interno em comparação com os custos do material importado", afirma von Roost.

Segundo ele, a previsão é de que as vendas fechem este ano em 24 toneladas. "O salto projetado para 2005 parece grande, mas é factível. Em 2003 vendemos apenas 4 toneladas de aditivos", justifica o empresário. Em apenas oito meses, a RES Brasil saiu do zero em participação nas embalagens para 800 toneladas de sacolas oxi-biodegradáveis.

O primeiro cliente foi a indústria paranaense de cosméticos O Boticário, em outubro de 2003. Mas a saga da companhia em busca de indústrias de
embalagens que aderissem ao produto foi iniciada em 1997. Há quatro anos, a RES Brasil negociou o produto com supermercados, mas nenhuma operação foi concretizada.

Agora, no rastro do pioneiro Pão de Açúcar, que lançou as sacolas biodegradáveis há menos de um mês, outras duas redes varejistas estudam utilizar a solução. Além das sacolas para supermercados, os aditivos compõem embalagens plásticas rígidas, talheres plásticos descartáveis e outros produtos.

Oxi-biodegradável

O termo oxi-biodegradável quer dizer que a ação do aditivo faz com que a sacola se degrade em 18 meses, desde que exposta a quatro fatores: estresse de manuseio, incidência solar de raios ultravioleta, calor e umidade. "Em um aterro sanitário, a sacola se degrada mais facilmente do que seria o caso do plástico comum", assinala o diretor-executivo da Nobelplast, Beni Adler.

Ele explica que o aditivo da RES Brasil quebra as cadeias de carbono que formam o plástico, de forma que os microorganismos consigam se alimentar dos carbonos (fungos e bactérias são compostos de carbono e água). O processo de oxi-biodegradação libera ao final água, carbono e biomassa.

Modo de usar

O aditivo simples é utilizado na proporção de 3% ou a 1,5% em sua forma concentrada, na formulação das resinas polietileno, polipropileno, polietileno tereftalato (PET) e poliestireno, para a transformação em diversos produtos. O produto está em teste para uso em poliestireno expandido (o popular isopor), e já tem aprovação para formulação de plástico BOPP (polipropileno biorientado), usado na fabricação de embalagens para alimentos. Von Roost revela que empresas brasileiras já exportam embalagens flexíveis oxi-biodegradáveis para todo o mundo.

A unidade da RES Brasil será a única licenciada da Synphony na América do Sul. "Escolhemos Campinas pela proximidade do aeroporto de Viracopos, de um bom sistema rodoviário, de universidades e do pólo de desenvolvimento tecnológico, além da rapidez para locomoção, o que não existe na capital paulista, explica von Roost.

Fonte: Agência Estado / AE Setorial
Jornalista: Viviane Mottin