Setembro de 2004

Soluções Mais Amigas em Alta
PARTE 2

Estréia nos supermercados

Para se ter idéia, os apelos dessas embalagens especiais vêm chamando até a atenção do setor de auto-serviço. Tanto é que o Pão de Açúcar, maior grupo supermercadista brasileiro, está lançando sacolas desse material para o acondicionamento das compras efetuadas em uma loja recém-aberta em São Paulo, no bairro Real Parque. "A novidade fortalece o nosso compromisso com a preservação da natureza e com o trabalho e o esforço da população nos demais projetos de reciclagem que têm sido implementados com grande sucesso em nossas lojas por todo o País", afirma Eduardo Romero, diretor de marketing corporativo do Grupo Pão de Açúcar. De acordo com ele, a iniciativa é um projeto piloto, que a rede pretende estender gradativamente a outras unidades da rede. "Trata-se do resultado de cerca de um ano de conversas e estudos com a rede", relata Rogério Mani, diretor comercial da Sol Embalagens, a fornecedora das sacolas. O contrato estipula o fornecimento mensal de cerca de 720 000 unidades desses envoltórios à nova loja.

A tecnologia empregada pela Antilhas e pela Sol para a produção das sacolas de rápida degradação é a D2W, da companhia inglesa Symphony, cujo mecanismo de ação se baseia no conceito de "oxi-biodegradabilidade" - no qual umidade, raios solares, stress (grande manuseio ou fricção) e altas temperaturas aceleram a decomposição do plástico e o torna "apetitoso" aos microorganismos, fazendo-o desaparecer num tempo passível de ser programado em sua fase de fabricação.

A Symphony é representada com exclusividade no território nacional pela RES Brasil, situada em Valinhos (SP). No fim do ano passado, a empresa contava com quatro convertedoras licenciadas para o trabalho com seu aditivo, chamado EMC. "Atualmente, já trabalhamos com um universo de quase cinqüenta transformadoras de plásticos, entre as já aptas a fornecer e aquelas em fases de testes ou de certificação de seus produtos", afirma Eduardo Van Roost, diretor superintendente da RES Brasil. Além dos já citados, outros nomes de peso em fabricação de embalagens aderiram a parcerias com a empresa nos últimos meses. Exemplos são a Diadema, a Zaraplast, e a Incoplast. Em 2003, a empresa comercializou 4 toneladas de aditivos no País. Para este ano, a expectativa é de que as vendas atinjam 24 toneladas. Mais à frente, em 2005 a RES crê num salto para 40 toneladas.

Esse volume, aliás, está em projetos para serem fabricados por aqui já no próximo exercício. A RES abrirá uma fábrica na região de Campinas (SP) para produzir localmente os aditivos com tecnologia da Symphony. As obras, diz Van Roost, deverão consumir 3 milhões de reais e começarão em fevereiro. Espera-se que a planta comece operando com capacidade total, produzindo 100 toneladas mensais de aditivos. Além da substituição de importações, 60 toneladas serão exportadas para países asiáticos, africanos, e vizinhos sul-americanos. "As matérias-primas para a fabricação dos aditivos são derivadas do petróleo e disponíveis no mercado nacional", esclarece o diretor da RES Brasil. "O Brasil é uma praça muito promissora para as tecnologias que aceleram a degradação de plásticos", disse a EMBALAGEM MARCA o inglês Michael Laurier, CEO da Symphony. No fim de agosto, ele esteve em São Paulo, onde comandou uma palestra sobre seus produtos para empresários e executivos na sede da ABIEF ( Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis).

Quem igualmente apresenta evidências do boom das embalagens de degradação rápida é outra parceira antiga da RES, a Nobelplast. De dez meses pra cá, a empresa viu o número de clientes seus nessa área saltar de três para dez, levando a previsões de que as vendas de embalagens de sua linha Bioplast, que reúne aquelas com degradabilidade acelerada, responderão por 5% de seu faturamento já neste ano, contra 1% do exército anterior.

Fonte: Revista EmbalagemMarca
Setembro de 2004 - nº 61
Págs 21 / 22 e 23

Jornalista: Guilherme Kamio
http://www.embalagemmarca.com.br