Para se ter idéia, os apelos dessas embalagens
especiais vêm chamando até a atenção do
setor de auto-serviço. Tanto é que o Pão de Açúcar,
maior grupo supermercadista brasileiro, está lançando
sacolas desse material para o acondicionamento das compras efetuadas
em uma loja recém-aberta em São Paulo, no bairro Real
Parque. "A novidade fortalece o nosso compromisso com a preservação
da natureza e com o trabalho e o esforço da população
nos demais projetos de reciclagem que têm sido implementados
com grande sucesso em nossas lojas por todo o País", afirma
Eduardo Romero, diretor de marketing corporativo do Grupo Pão
de Açúcar. De acordo com ele, a iniciativa é
um projeto piloto, que a rede pretende estender gradativamente a outras
unidades da rede. "Trata-se do resultado de cerca de um ano de
conversas e estudos com a rede", relata Rogério Mani,
diretor comercial da Sol Embalagens, a fornecedora das sacolas. O
contrato estipula o fornecimento mensal de cerca de 720 000 unidades
desses envoltórios à nova loja.
A tecnologia empregada pela Antilhas e pela Sol para
a produção das sacolas de rápida degradação
é a D2W, da companhia inglesa Symphony, cujo mecanismo de ação
se baseia no conceito de "oxi-biodegradabilidade" - no qual
umidade, raios solares, stress (grande manuseio ou fricção)
e altas temperaturas aceleram a decomposição do plástico
e o torna "apetitoso" aos microorganismos, fazendo-o desaparecer
num tempo passível de ser programado em sua fase de fabricação.
A Symphony é representada com exclusividade
no território nacional pela RES Brasil, situada em Valinhos
(SP). No fim do ano passado, a empresa contava com quatro convertedoras
licenciadas para o trabalho com seu aditivo, chamado EMC. "Atualmente,
já trabalhamos com um universo de quase cinqüenta transformadoras
de plásticos, entre as já aptas a fornecer e aquelas
em fases de testes ou de certificação de seus produtos",
afirma Eduardo Van Roost, diretor superintendente da RES Brasil. Além
dos já citados, outros nomes de peso em fabricação
de embalagens aderiram a parcerias com a empresa nos últimos
meses. Exemplos são a Diadema, a Zaraplast, e a Incoplast.
Em 2003, a empresa comercializou 4 toneladas de aditivos no País.
Para este ano, a expectativa é de que as vendas atinjam 24
toneladas. Mais à frente, em 2005 a RES crê num salto
para 40 toneladas.
Esse volume, aliás, está em projetos
para serem fabricados por aqui já no próximo exercício.
A RES abrirá uma fábrica na região de Campinas
(SP) para produzir localmente os aditivos com tecnologia da Symphony.
As obras, diz Van Roost, deverão consumir 3 milhões
de reais e começarão em fevereiro. Espera-se que a planta
comece operando com capacidade total, produzindo 100 toneladas mensais
de aditivos. Além da substituição de importações,
60 toneladas serão exportadas para países asiáticos,
africanos, e vizinhos sul-americanos. "As matérias-primas
para a fabricação dos aditivos são derivadas
do petróleo e disponíveis no mercado nacional",
esclarece o diretor da RES Brasil. "O Brasil é uma praça
muito promissora para as tecnologias que aceleram a degradação
de plásticos", disse a EMBALAGEM MARCA o inglês
Michael Laurier, CEO da Symphony. No fim de agosto, ele esteve em
São Paulo, onde comandou uma palestra sobre seus produtos para
empresários e executivos na sede da ABIEF ( Associação
Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis).
Quem
igualmente apresenta evidências do boom das embalagens de degradação
rápida é outra parceira antiga da RES, a Nobelplast.
De dez meses pra cá, a empresa viu o número de clientes
seus nessa área saltar de três para dez, levando a previsões
de que as vendas de embalagens de sua linha Bioplast, que reúne
aquelas com degradabilidade acelerada, responderão por 5% de
seu faturamento já neste ano, contra 1% do exército
anterior.
Fonte:
Revista EmbalagemMarca
Setembro de 2004 - nº 61
Págs 21 / 22 e 23
Jornalista:
Guilherme Kamio
http://www.embalagemmarca.com.br