O
cenário atual da indústria de plástico, como ela
própria alega, está longe de ser entusiástico.
Em que pesem os recentes sinais de aquecimento da atividade econômica,
ela enfrenta ociosidade média de 25% de sua capacidade instalada,
e os transformadores se vêem numa queda de braço sobre
repasse de preços com a clientela. Um nicho, porém, tem
conseguido manter-se em certo nível imune aos problemas do setor:
o das embalagens plásticas de rápida degradação,
obtidas a partir da mistura de um aditivo aos seus processos triviais
de fabricação.
Desde
a sua estréia em ações de vulto no país,
no fim de 2003, na forma de sacolas de duas gigantes nacionais do
setor de cosméticos e perfumaria, a Natura e O Boticário,
tais embalagens, capazes de sumir do ambiente em questão de
meses em vez dos decênios inerentes às suas versões
comuns, tornaram-se objeto de uma grande corrida de desenvolvimento
no Brasil - e de uma corrida em que preços maiores, pelo plus
do aditivo, não vem sendo entrave.
Num viés,
esse quadro pode levar a uma constatação negativa: a
de que essas embalagens diferenciadas estão em alta porque
o País enfrenta sérios problemas com o descarte das
versões corriqueiras. É verdade. O momento, no entanto,
merece também ser analisado por outra embocadura - essa, inegavelmente
positiva. "A escalada dessas embalagens, capitaneada atualmente
pelo empresariado, tende a fazer com que, num passo adiante, a consciência
ambiental de fato cresça entre os consumidores", sinaliza
Maurício Groke, diretor comercial da Antilhas, a provedora
das sacolas utilizadas no ano passado pelo O Boticário. "Haverá,
então, a esperada maior exigência da ponta da cadeia
por soluções ambientalmente mais corretas."
De uma
ação spot, restrita ao Natal, as embalagens de degradação
acelerada agora são itens de linha nessa fabricante de cosméticos.
Groke reporta ainda uma ação mundial da conscientização
ecológica da qual a Antilhas participará em setembro,
a Clean Up The World, fornecendo sacolas de rápida degradação
para coleta de dejetos em praias fluminenses, e iniciativas ainda
mantidas sob sigilo em grandes indústrias nacionais (uma de
papéis, uma de itens de higiene e limpeza e outra de perfumaria).
Fonte:
Revista EmbalagemMarca
Setembro de 2004 - nº 61
Págs 20 e 21
Jornalista:
Guilherme Kamio
http://www.embalagemmarca.com.br