Setembro de 2004

Soluções Mais Amigas em Alta
PARTE 1

Tecnologias para a rápida degradação de plásticos movimentam setor de embalagens.

O cenário atual da indústria de plástico, como ela própria alega, está longe de ser entusiástico. Em que pesem os recentes sinais de aquecimento da atividade econômica, ela enfrenta ociosidade média de 25% de sua capacidade instalada, e os transformadores se vêem numa queda de braço sobre repasse de preços com a clientela. Um nicho, porém, tem conseguido manter-se em certo nível imune aos problemas do setor: o das embalagens plásticas de rápida degradação, obtidas a partir da mistura de um aditivo aos seus processos triviais de fabricação.

Desde a sua estréia em ações de vulto no país, no fim de 2003, na forma de sacolas de duas gigantes nacionais do setor de cosméticos e perfumaria, a Natura e O Boticário, tais embalagens, capazes de sumir do ambiente em questão de meses em vez dos decênios inerentes às suas versões comuns, tornaram-se objeto de uma grande corrida de desenvolvimento no Brasil - e de uma corrida em que preços maiores, pelo plus do aditivo, não vem sendo entrave.

Num viés, esse quadro pode levar a uma constatação negativa: a de que essas embalagens diferenciadas estão em alta porque o País enfrenta sérios problemas com o descarte das versões corriqueiras. É verdade. O momento, no entanto, merece também ser analisado por outra embocadura - essa, inegavelmente positiva. "A escalada dessas embalagens, capitaneada atualmente pelo empresariado, tende a fazer com que, num passo adiante, a consciência ambiental de fato cresça entre os consumidores", sinaliza Maurício Groke, diretor comercial da Antilhas, a provedora das sacolas utilizadas no ano passado pelo O Boticário. "Haverá, então, a esperada maior exigência da ponta da cadeia por soluções ambientalmente mais corretas."

De uma ação spot, restrita ao Natal, as embalagens de degradação acelerada agora são itens de linha nessa fabricante de cosméticos. Groke reporta ainda uma ação mundial da conscientização ecológica da qual a Antilhas participará em setembro, a Clean Up The World, fornecendo sacolas de rápida degradação para coleta de dejetos em praias fluminenses, e iniciativas ainda mantidas sob sigilo em grandes indústrias nacionais (uma de papéis, uma de itens de higiene e limpeza e outra de perfumaria).

Fonte: Revista EmbalagemMarca
Setembro de 2004 - nº 61
Págs 20 e 21

Jornalista: Guilherme Kamio
http://www.embalagemmarca.com.br