A
fabricante de produtos eletroeletrônicos japonesa Sanyo lançou
no mercado no mês passado um CD virgem produzido com material
plástico proveniente do milho. Batizado com o nome comercial
de MildDisk, o produto tem como matéria-prima o bioplástico
ácido poliláctico (PLA), processado a partir da planta
pela norte-americana Cargill Dow.
A Sanyo, responsável pela fabricação dos discos,
não revela os detalhes do processo, afirmando apenas que eles
são moldados por injeção, como os CDs comuns de
policarbonato. O bioplástico é fornecido em pellets pela
também japonesa Mitsui Chemicals, licenciada pela Cargill Dow
para a comercialização do PLA no país oriental.
Segundo a Sanyo, cerca de 85 grãos de milho são o suficiente
para a fabricação de um disco, o que significa que uma
espiga pode dar origem a dez CDs (a estimativa toma como base o peso
de 0,5g para um grão seco).
Os discos possuem 1,2 mm de espessura, pesam 16,3g e, além do
ácido poliláctico, contêm em sua estrutura uma camada
de alumínio (material reflexivo) e outra de resina acrílica,
que serve como proteção. Segundo Ryan Watson, do departamento
de comunicação da empresa, “não há
diferença entre os CDs de PLA e os policarbonato no que se refere
à qualidade da gravação”. Watson revela,
porém, que existem diferenças entre os dois materiais
em termos de resistência à temperatura: “acreditamos
que os MildDisks não sejam capazes de reproduzir sua gravação
depois de serem submetidos a temperaturas maiores que 50ºC”,
afirma o representante da Sanyo, explicando que, por isso, os CDs de
ácido de poliláctico não são adequados no
momento para música ou vídeo-games, “mas são
uma boa opção para discos oferecidos como brindes em revistas
ou softwares que precisam ser substituídos freqüentemente”.
Watson afirma que a Sanyo está trabalhando para melhorar a resistência
ao calor”dos MildDisks, pois pretende ampliar aos poucos a aplicabilidade
do produto.
Polímero “ecológico”
Além de ser proveniente de um recurso natural renovável,
a ácido poliláctico é também um polímero
biodegradável. Para garantir um produto 100% “ecológico”,
a Sanyo utiliza o material também na fabricação
do estojo que acomoda o disco e no filme que embala ambos.
Segundo a Cargill Dow, a produção do PLA segue, basicamente,
os seguintes passos: primeiramente, o amido é separado do milho
por meio da moagem e processado para a obtenção de glicose
não-refinada. Em um processo de fermentação semelhante
ao usado na produção de bebidas como cerveja e vinho,
a glicose é convertida em ácido láctico, que, por
sua vez, passa por uma condensação “especial”e
dá origem ao monômero do PLA. Este é então
purificado por destilação a vácuo e submetido à
polimerização em ciclo aberto por meio de um processo
de fusão livre de solventes.
O milho não é o único vegetal que permite a obtenção
do ácido poliláctico. No Brasil, o Instituto de Pesquisas
Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP)
estuda a produção do material a partir da cana-de-açúcar
(veja matérias sobre o assunto nas edições de setembro
de 1998, julho de 2000 e outubro de 2003 de Plástico Industrial
).
Biodegradabilidade para presente.
Outra aplicação dos polímeros biodegradáveis
foi recentemente lançada comercialmente no Brasil pela perfumaria
O Boticário. Trata-se de um saco plástico desenvolvido
especialmente para servir como embalagem para presente dos produtos
vendidos na época do Natal, fabricado pela empresa paulista Antilhas.
Diferentemente do que ocorre com os CDs da Sanyo, porém, a embalagem
dos perfumes não é fabricada com um bioplástico,
e sim com um polímero comum (polietileno de baixa densidade,
ou PEBD) que recebe um aditivo que acelera seu processo de degradação.
O aditivo é fornecido pela ResBrasil (Valinhos, SP), licenciada
pela empresa inglesa Sympony, detentora da tecnologia para sua fabricação.
Segundo Eduardo Van Roost, diretor superintendente da companhia paulista,
a formulação é acrescentada ao PEBD na fase de
pré-mistura (na entrada da extrusora), na proporção
de 3%. Roost explica que o aditivo, que tem como base um polímero
de acetato (maiores detalhes sobre sua composição não
foram revelados), “fragiliza as cadeias do polímero, fazendo
com que as ligações entre as moléculas de carbono
e hidrogênio se rompam facilmente”. Com isso, ao ser descartado,
o material se torna mais suscetível ao ataque dos microorganismos
que se encarregam de sua degradação.
Roost afirma que, após o descarte, o filme de PEBD aditivado
entra em processo de degradação em cerca de 18 meses.
Esse prazo, segundo o diretor, é uma “média”,
partindo do pressuposto de que o produto esteja exposto ao calor e à
umidade.
Revista Plástico Industrial –
Ano VI – nº 65
Coluna Notícias