Economia Circular: o futuro do consumo

Economia Circular

Como já sabemos, se mantivermos o modelo atual de consumo descontrolado e sem análise do ciclo de vida de cada produto, o planeta não resistirá e entrará em colapso. Uma das saídas para que isso não aconteça é a Economia Circular. O nome é um pouco complexo, mas a prática é bem simples: produção, compra, consumo e descarte conscientes.

A Economia Circular nada mais é do que um conceito estratégico que resulta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. A ideia é substituir o conceito de fim-de-vida da economia linear (que, atualmente, é como funciona o nosso sistema produtivo e que não é nada sustentável devido a exploração excessiva de recursos e grande descarte de resíduos) por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação em um processo completamente integrado. A Economia Circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento econômico e o aumento no consumo de recursos, relação até aqui vista como definitiva.

Trazendo o conceito para a realidade da indústria, por exemplo, a cadeia produtiva seria repensada para que peças de eletrodomésticos usadas, por exemplo, pudessem ser de alguma forma reprocessadas e reintegradas à produção como componentes ou materiais para a fabricação de outros produtos eletrônicos. A Economia Circular repensa práticas econômicas e vai além dos três Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) porque ela consegue reunir um modelo de gestão sustentável aos avanços tecnológicos e comerciais.

Esse modelo econômico, então, pretende acabar com as ineficiências ao longo do ciclo de vida de um produto, desde a extração de matérias-primas até a utilização pelo consumidor, passando por uma gestão mais eficiente dos recursos naturais e minimizando a criação de resíduos, prolongando assim a vida útil de um produto. O objetivo final é manter produtos e materiais em um alto nível de utilidade por muito mais tempo.

Os princípios da Economia Circular são: Preservar e aumentar o capital natural; otimizar a produção de recursos; fechar os ciclos e fomentar a eficácia do sistema.

MAS COMO MUDAR TODA UMA CADEIA PRODUTIVA?

E se o consumidor não precisasse mais descartar como resíduo materiais não biodegradáveis, como roupas, eletrodomésticos, móveis e celulares? E se existisse uma forma de fazer todo esse material retornar ao ciclo produtivo levando-os de volta para as indústrias responsáveis para desmontá-los, otimizá-los e, de alguma forma, levar isso de volta ao consumidor? A economia lucraria, o consumidor lucraria e o planeta agradeceria. Isso traria um novo ciclo ao produto, transformando-o em insumo para novos produtos e não mais em resíduos comuns. O que era só um fim, gera um novo começo.

Pensando no desenvolvimento sustentável, é preciso controlar estoques finitos e equilibrar recurso renováveis. Para isso, é necessário desmaterializar produtos e serviços, valorizando mais o produto em si do que sua função. e aprimorar a eficiência da criação deste produto. Além disso, devem ser, na concepção, feitos com produtos facilmente recicláveis e concebidos para a remanufatura, reforma e reciclagem, e assim continue circulando em novos produtos.

Segundo a revista Nature, um novo relacionamento com nossos bens e materiais economizaria recursos e energia e criaria empregos locais. O uso de recursos pelo tempo mais longo possível pode reduzir as emissões de algumas nações em até 70%, e diminuir significativamente os resíduos.

Já um levantamento recente da CNI sobre o perfil dos consumidores brasileiros, mostra que 38% dos entrevistados sempre verificam ou verificam às vezes se os produtos foram produzidos de forma sustentável. A pesquisa revela que os brasileiros também têm mais consciência sobre o destino do lixo. O número de pessoas que separa resíduos para a reciclagem cresceu de 47%, em 2013, para 55%, em 2019. Isso mostra que as empresas envolvidas em processos ambientalmente corretos ainda podem lucrar com o interesse pessoal dos consumidores.

ECONOMIA CIRCULAR NA EUROPA

Depois que a velejadora britânica Ellen MacArthur compreendeu, em suas viagens solitárias, a importância da preservação de recursos devido a quantidade reduzida disponível dos mesmos, pois eram limitados, criou uma fundação com o seu nome e se tornou uma das principais defensoras dessa forma econômica. E isso abriu os olhos de muita gente para essa “novidade”, principalmente na Europa. Lá, as medidas para a prevenção de resíduos e promoção do design ecológico ou da reutilização já significam poupanças líquidas no valor de 600 milhões de euros, ou 8% do volume de negócios anuais para as empresas na União Europeia e a redução de emissões de gases em até 4%.

Além disso, o Parlamento Europeu aprovou uma classificação baseada em seis objetivos, que visa orientar investimentos públicos nos países do bloco que precisam atingir metas já estabelecidas nos acordos do clima, nas diretrizes contra a poluição de rios, mares e nos compromissos internacionais em relação aos resíduos.

A Fundação Ellen MacArthur é especializada em difundir e apoiar a mudança das empresas para esse novo modelo, que é capaz de gerar mais de um trilhão de dólares de lucro para a economia global. Foi criada uma rede de parceria entre empresas (líderes e emergentes) para colaborarem no salto coletivo para essa nova estrutura. Essa união foi chamada “CE100” (Circular Economy Hundred) e nomes como Coca-Cola, Unilever, Philips e Renault estão na lista. Além da vantagem comercial, a parceria também cria uma rede coletiva para a solução de problemas, proporciona a construção de uma biblioteca com guias práticos para os respectivos negócios alcançarem sucesso com rapidez e viabiliza mecanismos para integrar esse tipo de economia dentro de empresas.

10 COISAS PARA VOCÊ SABER SOBRE A ECONOMIA CIRCULAR:

  • Precisamos dela!
  • É mais do que simplesmente reciclar.
  • Celebridades estão entendendo e comprando a causa.
  • É um bom e lucrativo negócio.
  • Gera liderança corporativa.
  • É necessária a intervenção governamental.
  • Vai mudar toda e qualquer forma de consumir.
  • Trará novas habilidades além dos campos das engenharias e matemática, mas na publicidade, design e tecnologia digital.
  • Inovação e tecnologia disruptivas.
  • O Reino Unido já e 19% circular.

A Economia Circular vem sendo construída de forma sólida e inteligente nas últimas décadas. Ela oferece um modelo de pensamento completamente novo e é preciso, acima de tudo, adaptação. É uma ideia mobilizadora e que sinaliza a possibilidade de mudança tão necessária para que haja intervenções benéficas entre os seres humanos e o planeta.

Fontes:
eco.nomia.pt
Ellen MacArthur Fundation
Circular Economy (Portugal)
ecycle.com.br
Ideia Circular
Parlamento Europeu (www.europarl.europa.eu)