Avais científicos douram status do aditivo oxibio da Symphony

Eduardo Van Roost

Eduardo Van Roost

É parada dura pensar numa solução cuja sustentabilidade tenha sido tão contestada nos círculos do plástico mundial quanto a oxibiodegradação. Precursora na introdução por aqui do agente que acelera a decomposição do plástico por influência de luz, oxigênio, temperatura e umidade, a Res Brasil, representante desde os idos de 2000 da inglesa Symphony, fabricante do aditivo oxibio d2w™, perdeu a conta das contendas enfrentadas na mídia e em eventos para defender a eficácia de sua alternativa de biodegradação. Com o passar dos anos não só a poeira baixou como o jogo virou de vez com a nata dos transformadores de descartáveis de poliolefinas aderindo em peso ao d2w™ e com a sucessão de endossos obtidos lela Symphony à ação biodegradável que seu aditivo realmente entrega. O aval mais recente veio do verde bandeira governo francês, comemora nesta entrevista Eduardo Van Roost, diretor da Res Brasil.

1 – Como explica a substituição da rejeição frontal para uma aceitação consistente do aditivo oxibio pelo mercado nesses 21 anos da Res Brasil?

Mais do que uma rejeição, a reação inicial do passado demonstrava uma insegurança causada pela confusão entre terminologias e nomenclaturas técnicas. O compartilhamento de informações claras sobre o conceito da oxibiodegradação contribuiu para sua aceitação definitiva. Em paralelo, o pensamento tipo “vou usar porque o cliente pede” deu vez a “preciso oferecer aos clientes antes que abandonem o plástico”.
Em sua análise de ciclo de vida (ACV), a certificadora inglesa de produtos Intertek (ISO 14040) concluiu que d2w™ é 75% melhor do que plásticos convencionais e compostáveis quando há possibilidade de descarte incorreto. Este fato iniciou a receptividade mundial ao conceito da oxibiodegradação, reforçada a seguir por outras comprovações no mesmo espírito. Mas a novidade que afastou quaisquer dúvidas foi a bioassimilação dos plásticos biodegradáveis, a partir da tecnologia d2w™, com segurança no ambiente marinho, condição sem similar mundial e atestada em seis anos de análise pelo estudo Oxomar, empreendido pela agência nacional pesquisa do governo francês (ANR) e coordenado pelo laboratório oceanográfico de microbiologia (LOMIC), integrante do Observatório Oceanológico de Banyuls. Ficou patente que d2w™ é uma forma de seguro para plásticos que eventualmente escapam da economia circular e acabam depositados na natureza. Comprovadamente reciclável junto com os plásticos convencionais, a segurança da biodegradabilidade do nosso aditivo sem deixar resíduos nocivos na superfície do solo é garantida por sua conformidade com a norma ASTM 6954-18.
Em breve, aliás, teremos uma nova linha de polímeros de origem renovável, a partir de matérias-primas consideradas pragas presentes na natureza. A primeira planta da Symphony para esse bioplástico já partiu na França e planejamos introduzi-lo aqui no segundo semestre de 2022.

2 – Hoje em dia, os maiores transformadores de filmes do país são usuários de d2w™. Por que os artefatos plásticos rígidos de uso único ainda não aderiram ao aditivo oxibio com a mesma intensidade notada em flexíveis?

Não faz sentido nem é preciso banir o plástico convencional e suas ótimas características, como quer um contingente de legisladores e indivíduos. Uma solução é beneficiar a resina com d2w™. No Brasil, a guerra contra o plástico começou por volta de 2007 e, mais especificamente, contra as sacolas. Este é o motivo de o mercado nacional de flexíveis ter se antecipado à necessidade e tendência da sustentabilidade, sendo até agora o segmento de uso mais robusto de d2w™. Quando, mais recentemente, a plasticofobia se alastrou para a seara dos descartáveis rígidos de poliolefinas, seus transformadores começaram a colocá-los no mercado acrescidos da nossa tecnologia. A propósito, descartáveis de PET e poliestireno tradicional e expandido não são aditivados com d2w™ porque a composição da cadeia molecular desses polímeros permite somente uma reduzida e lenta biodegradação quando conjugada com qualquer tipo de aditivo com esta finalidade. Até hoje não vimos um laudo que comprove o cumprimento de norma de biodegradação para essas resinas.
Junto com transformadores de recipientes de polietileno (PE) e polipropileno (PP), estamos trabalhando com o combo d2w™ e d2pAM™ para retirar a conotação de uso único desses produtos. A combinação de aditivos contempla a embalagem com poder de oxibiodegradação aliado à ação antimicrobiana, viabilizando a possibilidade do seu reúso por mais tempo e de forma segura para as condições físicas dos usuários. Por sua vez, no segmento de descartáveis de papel laminado com plásticos, a adição de d2w™ acelera a oxibiodegradação do polímero, devolvendo ao papel a biodegradabilidade antes inibida pela laminação.

3 – Pandemia e home office têm influído de alguma forma para firmar o conceito sustentável do seu aditivo oxibio e incrementar sua penetração em embalagens flexíveis e rígidas?

Sim. Notamos um aumento do interesse por embalagens em PE ou PP que combinam d2w™ e o antimicrobiano d2pAM™ no delivery de alimentos. Denominamos este combo de Health & Bio. A característica antimicrobiana tem sido procurada pela segurança de uma embalagem limpa por muito tempo depois de produzida, que protege com eficiência os alimentos e a saúde das pessoas (consumidores, entregadores, porteiros, pessoas envolvidas na coleta e reciclagem), incentivando também a reutilização dela.