04 de Maio de 2000

Austrália adota o verde que dá lucro

Nenhuma outra Olimpíada teve tanta preocupação com o meio ambiente. E nenhuma sonhou faturar tanto com a utilização de recursos naturais e com a reciclagem de produtos.

Os australianos se preparam para fazer desta Olimpíada de Sydney um exemplo para o mundo, quanto a preservação do meio ambiente. Mas estão passando também lições de como lucrar com todo esse aparato ambiental. “O verde é ouro”, na tradução do slogan de sua campanha.
Olhando-se à volta, em Sydney, são lixeiras e mais lixeiras acopladas em três: duas vermelho-escuro para “comida, papel e papelão”e uma amarela para “plástico, vidro e alumínio”. Estantes em azul-pavão? Papelão reciclado. Cadeiras, mesas de madeira? Não, também papelão reciclado. Pratos, pratinhos, travessas, talheres, copos para café, taças para vinho? Tudo reciclável ou biodegradável.
As vasilhas vêm de uma mistura que leva amido do milho ou papel reciclado. Garfos, facas de bagaço de cana-de-açúcar. A melhor parte: vêm todos demarcados com vermelho-escuros, prontos para as lixeiras de biodegradáveis e, assim, ninguém precisa pensar em lavar-louça – ela se desintegra! E sem poluir o meio ambiente. São “fortes, duráveis, com boa resistência a líquido”.
Plásticos? Estes estão estreando na Olimpíada: são 100% recicláveis! Não ficam mais poluindo a terra. Lixeira amarela. Também não é preciso lavar nada – e economiza-se água, que se tornará cada vez mais preciosa para o planeta. Prático e barato para os consumidores.
Os edifícios têm imensos espaços abertos para aproveitar a iluminação e a ventilação natural. Suas estruturas na maioria das vezes são em aço, escolhido como “o material do próximo milênio”por atender às necessidades ambientais. Dos telhados, capta-se a energia solar.
A água mais pura, da chuva, vai para torneiras (o aço também é para os tanques que armazenam a água quente da energia solar). A água servida também é reciclada. Em cada casa. Vai para os vasos sanitários, por exemplo.
No Estádio Olímpico, a redução de uso de energia foi de 30% do “normal”, assim como em 37% dos gases poluentes, 13% da água, com 77% da água utilizada sendo coletada no próprio lugar ou reciclada. Para cortar o ar condicionado, um gás “co-generation”é para a água quente e a eletricidade. Há espaços para entrar ar fresco de dia e portas são fechadas para o ar quente da noite ficar fora, no processo chamado “night flushing” de ventilação. No centro de Tênis, o ar fresco “viaja” sob o chão, a dois metros de profundidade, onde a temperatura já é estável, e refrigera o ar, que é jogado para o público por ventiladores.
Todas essas novas tecnologias foram colocadas pelo Business Clube Austrália na Internet, para pessoas interessadas de todo mundo (businesseclubaustralia.com.au).

Jornal da Tarde SP – Por Denise Miras - Sydney