26 de novembro de 2003

Um Lixo a Menos

A Natura acaba de aderir às embalagens plásticas biodegradáveis. Três milhões de saquinhos/mês, que envolvem as notas fiscais das 335 mil consultoras da empresa Renato Wakimoto, gerente da divisão de embalagens (custam 5% a mais que os comuns). A empresa ainda busca tecnologia nos frascos de seus produtos.
Os saquinhos são produzidos a partir da tecnologia possuída pela ResBrasil, empresa localizada em Cajamar (SP), que datem no País o direito para licenciar fabricantes de plástico biodegradável. Eduardo Van Roost, diretor-superintendente da ResBrasil, diz que também há contratos na ponta da agulha envolvendo redes de supermercados, fabricantes de celulares e empresas de distribuição de gás de cozinha.
A européia Res, sediada em Luxemburgo, começou a operar no Brasil por meio de uma filial fabricando plásticos à base de amido de mandioca, milho ou batata. Hoje, a empresa detém uma tecnologia inovadora, adquirida por 200 milhões de euros da companhia inglesa Symphony: trata-se de um aditivo químico (um polímero de acetato) que, ao ser aplicado no plástico convencional, fragiliza as ligações entre as moléculas de carbono que formam o material, fazendo com que este se degrade caso exposto a umidade e à luz solar, como quando é jogado em aterros e lixões. Depois de quebrado em fragmentos, é digerido por fungos e bactérias.
Mas, se devidamente protegido das ações naturais, não se degrada. As fotos mostram um saco biodegradável exposto ao tempo, no intervalo de 62 dias. Um plástico comum se desintegra em cerca de cem anos. “O produto que oferecemos custa um pouco mais que o convencional. Mas, se a sociedade computar os gastos com o transporte, a disposição do lixo e o passivo ambiental gerado por um aterro, sai muito mais barato”, diz Van Roost.

Carta Capital – Coluna Alternativas - Por Anália Safatle