São
Paulo perde R$ 1,9 bilhão por ano por não reciclar seu
lixo. O número é do pesquisador Sabetai Calderoni, do
Núcleo de Políticas e Estratégias da USP. Para
calculá-lo, ele computou a energia elétrica gasta para
produzir a partir de matéria-prima virgem, o custo da água
– que é menor quando se produz a partir de sucata, o preço
das matérias-primas e dos equipamentos de controle ambiental
e os gastos com aterros sanitários. Também inclui o que
se deixa de ganhar por não aproveitar o lixo orgânico,
que responde por 60% da quantidade de resíduos produzida.
“Da parte inorgânica do lixo – plásticos, metais,
vidros, papel e papelão, de um potencial de R$ 1,18 bilhão,
a cidade só consegue R$ 326 milhões com a reciclagem”,
explica. “Da inorgânica – restos de comida, podas,
varrição, que poderia gerar energia e adubo de boa qualidade,
a perda é de R$ 1 bilhão.”
A cada dia, cerca de 16 mil toneladas de lixo são produzidas
na capital. A maior parte do que é coletado acaba indo para os
aterros sanitários, usinas de compostagem ou para um incinerador
que funciona há mais de três décadas. Uma grande
quantidade de resíduos ainda vai para terrenos baldios, córregos,
represas ou nos Rios Pinheiros e Tietê.
“Por seu porte, São Paulo é uma das cidades que
mais desperdiçam nas Américas”, acredita a diretora
do Instituto Pólis e coordenadora do Fórum Lixo e Cidadania
da Cidade de São Paulo, Elisabeth Grimberg.
Segundo ela, em tese por-se-ia aproveitar 80% do lixo produzido na capital,
mas apenas 3% acabam reutilizados. Do total desviado dos aterros, 30%
é por obra dos catadores, 1% das usinas de compostagem da Vila
Leopoldina e São Mateus, 0,06% dos postos de entrega voluntária
e o resto pela ação de sucateiros.
Para brigar pela produção e reaproveitamento dos resíduos
sólidos urbanos, em junho de 2000, 60 entidades criaram o Fórum
Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo. Pregando a gestão
compartilhada do lixo por órgãos públicos e instituições
da sociedade, o fórum também apresenta como propostas
a participação de catadores na coleta, triagem e comercialização
dos resíduos sólidos urbanos, a segregação
de materiais perigosos nas fontes geradoras e a erradicação
do trabalho infantil nos lixões.
Em agosto de 2000, a então candidata Marta Suplicy (PT) se comprometeu
a pôr em prática a Plataforma Lixo e Cidadania elaborada
pelo fórum. As entidades estão na expectativa.
Para Vladimir Kudrjawzew, diretor da Repet, empresa de reciclagem de
pets (garrafas plásticas de refrigerante), quem paga a conta
da não reutilização do lixo é o cidadão
paulistano. Fundada em 1996, a cada mês, a companhia transforma
até 26 milhões de garrafas em poliéster. “Em
São Paulo, porém, nem 10% dos pets são reciclados”,
lamenta. (L.G.)
O
Estado de São Paulo – Por Itamar Miranda/AE