21 de outubro de 2003

Novos pedidos estimulam
o mercado de biodegradáveis
Fabricantes estimam crescimento de
até 40% em três anos

A rede de lojas de perfumaria e cosméticos O Boticário e um gigante do setor de supermercados preparam-se para adotar até o final deste ano em seus estabelecimentos embalagens e sacolas fabricadas com plástico biodegradável. O material representa hoje 1% de todo o plástico produzido no mundo; no Brasil sua representação ainda é inexpressiva. No entanto, um grupo de empresas nacionais aposta que esse novo mercado promete dar início a um boom a partir do próximo ano.
As Antilhas Soluções Integradas para Embalagens, por exemplo, fabricará 132 toneladas de embalagens biodegradáveis que serão comercializadas nas 2.300 lojas da rede Boticário no próximo Natal.
Maior transformadora de sacolas plásticas do Brasil, a Sol Embalagens deve implementar até o final deste ano uma linha de sacolas biodegradáveis em uma grande rede nacional de supermercados. A empresa produz atualmente 500 milhões de sacolas plásticas por mês e abastece gigantes como Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart.
De acordo com Rogério Mane, diretor-comercial da Sol Embalagens, a empresa prevê que até o final do ano que vem as sacolas biodegradáveis representem 30% de sua produção. “Nosso objetivo é produzir 150 milhões de sacolas biodegradáveis por mês no final de 2004 e esperamos que esse número dobre a cada ano”, diz Mane.
As empresas Antilhas e Sol Embalagens são clientes da ResBrasil, que, desde a sua criação, em 1997, investiu 200 mil euros em pesquisa e divulgação do plástico biodegradável, produto que traz as mesmas características do plástico convencional, mas proporciona a degradação muito mais rápida depois que o material é descartado. A ResBrasil licencia, distribui o material e controla a qualidade do plástico biodegradável produzido pelas empresas que utilizam sua matéria-prima. Atualmente existem cinco empresas licenciadas e outras duas em fase de testes para a implementação. Segundo Eduardo Van Roost, diretor-superintendente da ResBrasil, o mercado nacional ainda é pequeno, mas as empresas que já são certificadas para produzir plástico biodegradável estão otimistas.
A Nobelplast, fabricante de sacolas, embalagens promocionais e industriais, espera que até 2006 seu faturamento – R$ 25 milhões em 2003 – seja incrementado em até 40% exclusivamente por conta da fabricação de produtos de plástico biodegradável. A empresa estima que em três anos os artigos biodegradáveis representem 30% de sua produção. A Nobelplast produz este tipo de plástico desde 1999 no Brasil, e já desenvolveu uma mala direta utilizando 10 mil envelopes biodegradáveis para o Instituto Ayrton Senna e, segundo o diretor-executivo Beni Adler, a empresa já está concluindo negociações de uma dezena de novos empreendimentos. “Acredito que a conscientização ambiental é o que vai alavancar esse mercado”, diz Adler.
De acordo com Eduardo Van Roost, a linha de embalagens do Boticário e a iniciativa da Sol Embalagens irão dar visibilidade aos produtos de plástico biodegradável no mercado nacional e a tendência é de crescimento exponencial. “Apear de embalagens biodegradáveis serem até 30% mais caras, existe uma tendência mundial para a redução de resíduos”, explica Van roost. Alguns países, como a Alemanha, cobram impostos severos sobre resíduos gerados por embalagens e muitas empresas estão se conscientizando de que o uso de embalagens biodegradáveis melhora sua imagem com o consumidor.
A tecnologia utilizada para a produção em escala industrial do plástico biodegradável é a aditivação com polímeros de acetato, introduzido no plástico durante o processo de fabricação. Os aditivos representam 3% do produto final e fragilizam as ligações entre moléculas do material, causando uma decomposição muito mais rápida do que a convencional. Segundo dados da ResBrasil, uma sacola plástica convencional demora 100 anos para se decompor enquanto a biodegradável desaparece em cerca de 18 meses.

Jornal DCI – A-7 - Por Gabriel Attuy