A
rede de lojas de perfumaria e cosméticos O Boticário e
um gigante do setor de supermercados preparam-se para adotar até
o final deste ano em seus estabelecimentos embalagens e sacolas fabricadas
com plástico biodegradável. O material representa hoje
1% de todo o plástico produzido no mundo; no Brasil sua representação
ainda é inexpressiva. No entanto, um grupo de empresas nacionais
aposta que esse novo mercado promete dar início a um boom a partir
do próximo ano.
As Antilhas Soluções Integradas para Embalagens, por exemplo,
fabricará 132 toneladas de embalagens biodegradáveis que
serão comercializadas nas 2.300 lojas da rede Boticário
no próximo Natal.
Maior transformadora de sacolas plásticas do Brasil, a Sol Embalagens
deve implementar até o final deste ano uma linha de sacolas biodegradáveis
em uma grande rede nacional de supermercados. A empresa produz atualmente
500 milhões de sacolas plásticas por mês e abastece
gigantes como Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart.
De acordo com Rogério Mane, diretor-comercial da Sol Embalagens,
a empresa prevê que até o final do ano que vem as sacolas
biodegradáveis representem 30% de sua produção.
“Nosso objetivo é produzir 150 milhões de sacolas
biodegradáveis por mês no final de 2004 e esperamos que
esse número dobre a cada ano”, diz Mane.
As empresas Antilhas e Sol Embalagens são clientes da ResBrasil,
que, desde a sua criação, em 1997, investiu 200 mil euros
em pesquisa e divulgação do plástico biodegradável,
produto que traz as mesmas características do plástico
convencional, mas proporciona a degradação muito mais
rápida depois que o material é descartado. A ResBrasil
licencia, distribui o material e controla a qualidade do plástico
biodegradável produzido pelas empresas que utilizam sua matéria-prima.
Atualmente existem cinco empresas licenciadas e outras duas em fase
de testes para a implementação. Segundo Eduardo Van Roost,
diretor-superintendente da ResBrasil, o mercado nacional ainda é
pequeno, mas as empresas que já são certificadas para
produzir plástico biodegradável estão otimistas.
A Nobelplast, fabricante de sacolas, embalagens promocionais e industriais,
espera que até 2006 seu faturamento – R$ 25 milhões
em 2003 – seja incrementado em até 40% exclusivamente por
conta da fabricação de produtos de plástico biodegradável.
A empresa estima que em três anos os artigos biodegradáveis
representem 30% de sua produção. A Nobelplast produz este
tipo de plástico desde 1999 no Brasil, e já desenvolveu
uma mala direta utilizando 10 mil envelopes biodegradáveis para
o Instituto Ayrton Senna e, segundo o diretor-executivo Beni Adler,
a empresa já está concluindo negociações
de uma dezena de novos empreendimentos. “Acredito que a conscientização
ambiental é o que vai alavancar esse mercado”, diz Adler.
De acordo com Eduardo Van Roost, a linha de embalagens do Boticário
e a iniciativa da Sol Embalagens irão dar visibilidade aos produtos
de plástico biodegradável no mercado nacional e a tendência
é de crescimento exponencial. “Apear de embalagens biodegradáveis
serem até 30% mais caras, existe uma tendência mundial
para a redução de resíduos”, explica Van
roost. Alguns países, como a Alemanha, cobram impostos severos
sobre resíduos gerados por embalagens e muitas empresas estão
se conscientizando de que o uso de embalagens biodegradáveis
melhora sua imagem com o consumidor.
A tecnologia utilizada para a produção em escala industrial
do plástico biodegradável é a aditivação
com polímeros de acetato, introduzido no plástico durante
o processo de fabricação. Os aditivos representam 3% do
produto final e fragilizam as ligações entre moléculas
do material, causando uma decomposição muito mais rápida
do que a convencional. Segundo dados da ResBrasil, uma sacola plástica
convencional demora 100 anos para se decompor enquanto a biodegradável
desaparece em cerca de 18 meses.
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DCI – A-7 - Por Gabriel Attuy