Domingo, 2 de Junho de 2002

Reciclagem municipal
atinge só 0,03% do lixo
Prefeitura promete entregar até agosto primeira de nove novas centrais de coleta seletiva

Depois de anos sem investimentos no setor, a Prefeitura promete entregar até agosto na Mooca, na zona leste, a primeira de nove centrais de coleta seletiva. Além de contribuir para a reciclagem, as centrais vão dar chances aos catadores de negociar diretamente com empresas recicladoras, eliminando intermediários.
São Paulo tem um programa de coleta seletiva, iniciado na gestão Luíza Erundina. Mas ele foi esvaziado e hoje a quantidade recolhida chega a apenas 4 toneladas – ou 0,03% do volume total de lixo coletado. O lixo é recolhido pela Prefeitura em algumas ruas da Vila Leopoldina, Pinheiros e Lapa e levado para o Centro de Triagem da Vila Leopoldina.
“Não pudemos começar a coleta seletiva no ano passado porque não havia recursos no orçamento deixado por Celso Pitta”, explica a coordenadora do Programa de Coleta Seletiva e Solidária da Cidade de São Paulo, Maria Inês Bertão.
Segundo ela, com os 6,9milhões previstos no orçamento deste ano, a Prefeitura vai construir ou reformar nove galpões e instalar neles esteiras, prensas e outros equipamentos para separar o lixo. Também fornecerá caminhões e montará cooperativas que vão se responsabilizar pela coleta, triagem e venda dos resíduos.
“A idéia é ter inclusão social com criação de emprego e renda para os catadores”, diz Maria Inês. Ela afirmou que há entre 4 mil e 5 mil catadores autônomos, 1200 organizadores em 70 grupos e 2 cooperativas.
A central da Mooca será instalada num prédio público que espera por reforma. Até o fim do mês deve ser aberta licitação para as obras. Na Vila Maria, um almoxarifado do Serviço Funerário vai virar a segunda central. Também haverá espaços na Vila Leopoldina e outras seis centrais, que serão construídas até o fim do ano, quando a coleta seletiva deve alcançar 4% do lixo recolhido. “Já temos os equipamentos e pretendíamos lançar em maio o programa, mas o problema é a demora na licitação. Mas já fizemos parcerias com empresas recicladoras, como a Abividro e a Latasa.”
A Prefeitura ainda pretende espalhar, em parques e praças, cerca de cem contêineres para entrega voluntária. “Vamos monitorar, com grupos organizados e fóruns, para evitar a entrada de coopergatos, que exploram os catadores.”

O Estado de São Paulo –Caderno Cidades - Ambiente
Por Luciana Garbin