2 de Junho de 2002

Três famílias e suas lixeiras
A pedido do Estado, moradores separam resíduos, que passaram por análise

A pedido do Estado, três famílias separaram o lixo acumulado em cinco dias. Os resíduos secos foram analisados no Instituto Pólis:
Informação – A advogada Andréa Gouveia Jorge, de 25 anos, vive com o irmão Danilo, de 17; a mãe, a pedagoga Sônia, de 49, e o pai Eurico Lucas Jorge, de 57. É Eurico quem separa o lixo, pondo de lado material reciclável (caixa, plástico, papel). A quantidade de resíduos caiu porque a irmã foi morar no interior e a família tem ficado menos em casa.
Análise: as embalagens plásticas de lavagem a seco poderiam ser substituídas por retornáveis. A família tem nível razoável de informação, porque separou até impressos, embalagens de bombons e ovos, um copo de vidro quebrado e embalagem de comida animal.

Supérfluos – a bancária Cristiane Penteado costa Celeghini, de 37 anos, vive com o marido, o economista Edson, de 38, e os filhos Leonardo, de 8, e Guilherme, de 5. Cristiane diz que gostaria de ter tempo para reaproveitar melhor as coisas, mas seu ritmo de vida a impede. A família desperdiça muito, pois compra alimentos industrializados e pratos prontos, que têm muitas embalagens. Também afirma que em casa com criança há muito consumo de iogurte, bolacha e bolo. Reconhece que a família joga no lixo muita lata de refrigerante, cerveja, além de embalagens de plástico e bandejas de isopor e papelão. Para Cristiane, os condomínios deveriam organizar coleta seletiva. Às vezes ela junta lata e dá para um catador.
Análise: o lixo mostrou alto consumo de supérfluos e novidades. Chamam a atenção as miniembalagens, que se encaixam no estilo de consumidor moderno, que vive às voltas com estratégias de marketing.

Plástico – A cabeleireira Lourdes Alves Batista, de 32 anos, vive com as filhas , Fernanda, de 13, e Thaís, de 14. “Reciclar é importante, dá para reaproveitar em casa e permitir a outras pessoas de ganhar em vez de desperdiçar. Nem sempre dá para fazer essa separação porque minhas filhas não têm essa noção. Falta divulgação para mostrar a importância de reciclar e falar de instituições sérias.”
Análise: o volume de resíduos é mínimo, mas cheio de plástico. A família descarta pouco papelão. Não havia nem vidro nem alumínio no lixo.

O Estado de São Paulo – Caderno Cidades