Fábricas
da Capital e do Interior paulista já apostam na matéria-prima
importada por um empresário de Valinhos para movimentar suas
linhas de produção ou teste com um plástico ecologicamente
correto. O novo plástico é inofensivo para o meio ambiente
e pode ser descartado no lixo sem dor na consciência, pois se
decompõe em 18 meses. O comum, à base dos derivados de
petróleo, ao contrário, demora cerca de cem anos para
ser absorvido pelo solo. Os produtos com o “selo verde”
já estão no mercado e a expectativa do importador da matéria-prima
é que popularize significativamente a partir deste ano.
“As empresas que têm essa cara de ecologicamente corretas
ou que querem passar uma imagem simpática ao mercado consumidor
estão investindo neste tipo de produto. Há ainda o aspecto
da responsabilidade social, que tem um peso significativo no mercado
hoje. Nos últimos seis meses a aceitação da indústria
e do comércio por essa matéria-prima teve um boom e deve
aumentar muito mais”, avalia Eduardo Van Roost, diretor superintendente
da rEs Brasil, de Valinhos, a empresa que importa da Itália as
resinas para a fabricação do plástico biodegradável.
O empresário defende a idéia de que as embalagens plásticas,
principalmente as sacolas de loja, são um meio de divulgação
“até certo ponto”, já que dificilmente são
recicladas após o consumo. Para ele, é ai que entra o
interesse das empresas ao tentar associar sua marca a produtos “verdes”.
“No caso das sacolas, vão ser mesmo usadas para acondicionar
lixo. E uma empresa pode não quer ver sua marca boiando no rio
Tietê”, reflete.
“Para o consumidor, saber que a sacola que leva sua compra vai
se transformar brevemente em água, dióxido de carbono
e húmus acrescenta um valor ético ao produto, o que representa
uma mídia espontânea daquela marca”, completa Van
Roost que também é responsável pelo licenciamento
dos fabricantes dos produtos finais.
Como funciona
Van Roost conta que o plástico biodegradável é
o resultado de uma mistura de resinas tradicionais com aditivos químicos
inertes. O aditivo é como um pó de pirlimpimpim, que adicionado
às resinas nacionais durante o processo de fabricação,
confere biodegradabilidade ao filme plástico”,diz.
Explicando de maneira simplificada a acão do aditivo, o empresário
afirma que ele reduz o tamanho e fragiliza a ligação entre
as moléculas que formam o plástico, fazendo com que o
material comece a se degradar antes mesmo de ir para o lixo.
Com isso, o produto é mais facilmente digerido pelas bactérias
e fungos quando exposto às intempéries e em contato com
a terra. Essa propriedade, segundo Van Roost, não tira as características
de resistência, impermeabilidade e leveza originais do plástico,
que também é totalmente reciclável.
Correio Popular