15 de fevereiro de 2004

Plástico “verde” importado
chega ao mercado

Fábricas da Capital e do Interior paulista já apostam na matéria-prima importada por um empresário de Valinhos para movimentar suas linhas de produção ou teste com um plástico ecologicamente correto. O novo plástico é inofensivo para o meio ambiente e pode ser descartado no lixo sem dor na consciência, pois se decompõe em 18 meses. O comum, à base dos derivados de petróleo, ao contrário, demora cerca de cem anos para ser absorvido pelo solo. Os produtos com o “selo verde” já estão no mercado e a expectativa do importador da matéria-prima é que popularize significativamente a partir deste ano.
“As empresas que têm essa cara de ecologicamente corretas ou que querem passar uma imagem simpática ao mercado consumidor estão investindo neste tipo de produto. Há ainda o aspecto da responsabilidade social, que tem um peso significativo no mercado hoje. Nos últimos seis meses a aceitação da indústria e do comércio por essa matéria-prima teve um boom e deve aumentar muito mais”, avalia Eduardo Van Roost, diretor superintendente da rEs Brasil, de Valinhos, a empresa que importa da Itália as resinas para a fabricação do plástico biodegradável.
O empresário defende a idéia de que as embalagens plásticas, principalmente as sacolas de loja, são um meio de divulgação “até certo ponto”, já que dificilmente são recicladas após o consumo. Para ele, é ai que entra o interesse das empresas ao tentar associar sua marca a produtos “verdes”. “No caso das sacolas, vão ser mesmo usadas para acondicionar lixo. E uma empresa pode não quer ver sua marca boiando no rio Tietê”, reflete.
“Para o consumidor, saber que a sacola que leva sua compra vai se transformar brevemente em água, dióxido de carbono e húmus acrescenta um valor ético ao produto, o que representa uma mídia espontânea daquela marca”, completa Van Roost que também é responsável pelo licenciamento dos fabricantes dos produtos finais.
Como funciona
Van Roost conta que o plástico biodegradável é o resultado de uma mistura de resinas tradicionais com aditivos químicos inertes. O aditivo é como um pó de pirlimpimpim, que adicionado às resinas nacionais durante o processo de fabricação, confere biodegradabilidade ao filme plástico”,diz.
Explicando de maneira simplificada a acão do aditivo, o empresário afirma que ele reduz o tamanho e fragiliza a ligação entre as moléculas que formam o plástico, fazendo com que o material comece a se degradar antes mesmo de ir para o lixo.
Com isso, o produto é mais facilmente digerido pelas bactérias e fungos quando exposto às intempéries e em contato com a terra. Essa propriedade, segundo Van Roost, não tira as características de resistência, impermeabilidade e leveza originais do plástico, que também é totalmente reciclável.

Correio Popular