13 de março de 2004

Consumo
consciente começa a ganhar espaço

Pesquisa indica que alguns comportamentos já fazem parte da rotina da população

A maior parte dos consumidores do País ainda é muito pouco e comprometida com o consumo consciente, mas um porcentual significativo, em torno de 43%, começa a ter um procedimento diferente. Eles já adotam vários comportamentos típicos de consumo consciente, como o de evitar deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados, o de fechar a torneira ao escovar os dentes, separar o lixo para reciclagem e de pedir nota fiscal na hora da compra, entre outras atitudes.
A conclusão é do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente que, pela primeira vez numa ampla pesquisa, em parceria com o Indicador GfK, procurou no mercado brasileiro formas de identificar e caracterizar o consumidor conforme o grau de adesão ao consumo consciente. O levantamento foi feito em nove regiões metropolitanas e duas capitais e a pesquisa mapeou quatro grupos de consumidor: os conscientes (6%), os comprometidos (37%), os iniciantes (54%) e os indiferentes (3%).
Os grupos foram definidos segundo o grau de adesão aos comportamentos que pressupõe a consciência no ato de consumo de produtos, recursos naturais ou serviços. Na pesquisa, 13 comportamentos foram considerados típicos do consumo inconsciente.
Alguns dados da pesquisa surpreenderam. Entre o grupo consciente (6%), por exemplo, 52% pertencem às classes C e D. “Não esperávamos este resultado e sim encontrar pessoas conscientes nas faixas de maior nível de renda”, diz o presidente do Akatu, Hélio Mattar. “Já o nível de instrução pesa no grau de conscientização”. Entre os conscientes, 24% têm curso superior ante 11% do total da amostra. Em geral, observa, a população de indiferentes é formada mais por jovens e de menor renda. Mas foram encontrados consumidores conscientes em todas as classes sociais.
Na pesquisa é perceptível também que determinados comportamentos, como não guardar alimento quente na geladeira, evitar lâmpadas acesas em aposentos vazios e fechar a torneira quando escova os dentes, são adotados pela maioria. “Eles estão relacionados ao consumo de energia e água e como a mídia tem abordado insistentemente estes temas, a população como um todo é mais sensibilizada”, diz. A pesquisa mostra que é consenso para 94% dos consumidores que economizar energia e água é uma boa maneira de preservar o meio ambiente. Com a maior conscientização do consumidor, segundo a pesquisa, as empresas que quiserem se diferenciar no mercado, além do preço e qualidade deverão mostrar uma preocupação clara com o meio ambiente.
Entre os consumidores conscientes, 82% afirmam estar dispostos a pagar mais para empresas que realizam projetos em favor do meio ambiente. Outras atitudes empresariais que estimulam mais o consumidor em geral são contratar deficientes físicos (46%), colaborar com escolas, postos de saúde e entidades sociais (34%), manter programas de alfabetização (31%) e manter um excelente serviço de atendimento ao consumidor (31%).

O Estado de São Paulo - Caderno Economia - Negócios
Por Vera Dantas