12 de agosto de 2002

Lixo compromete
melhorias do Projeto Pomar

Muitos que passam pela Marginal do Pinheiros,
jogam lixo em espaços recuperados.

Latas, saquinhos dos sanduíches do Mcdonald’s, celulares, panfletos com propaganda política, embalagem de Viagra e todo tipo de lixo que se possa imaginar vêm invadindo diariamente o espaço recuperado pelo Projeto Pomar nas margens do Rio Pinheiros.
“Parte da população não tem a noção exata da agressão que provoca ao jogar essas coisas”, aponta o geógrafo Dagoberto Meneghini, coordenador-técnico do Projeto Pomar – uma iniciativa do Jornal da Tarde, que recebeu apoio das Secretarias Municipal e Estadual do Meio Ambiente e de empresas privadas.
A cada semana, funcionários do Pomar retiram, em apenas um quilômetro das margens do Pinheiros, uma caminhonete cheia de lixo.
“Os dias mais críticos são as segundas-feiras, quando a quantidade de resíduos é ainda maior”, diz Meneghini. Mas o que mais choca toda a equipe do projeto é a postura das pessoas que juntam o lixo em um saquinho dentro dos carros e depois simplesmente joga-lo pela janela. “O objetivo principal do projeto é resgatar essa área, e quem mais se beneficia são as pessoas que circulam nas Marginais. As mesmas que jogam o lixo pelas janelas”, afirma o geógrafo.
Interesse – O núcleo de educação ambiental do Projeto Pomar recebe diariamente dezenas de pessoas que querem conhecer um pouco mais sobre o meio ambiente. Lá, a equipe do projeto orienta essas pessoas a contribuir para a recuperação do meio ambiente e o tratamento certo que deve ser dado ao lixo. “As pessoas têm de pensar mais coletivamente, levar em conta a questão da cidadania. Queremos que todos visitem o nosso núcleo para despertar essa consciência e mostrar que precisamos da parceria da população”.
O sistema de gestão ambiental do Projeto Pomar recebeu este ano a certificação ISSO 14001, pois se preocupa com o uso adequado dos recursos naturais e destino dos resíduos. “É necessário que os cidadãos compactuem com a idéia do projeto, de recuperar essa área historicamente degradada”, afirma Meneghini. “É preciso respeitar o espaço público e lembrar que se está verde e bonito, é porque há pessoas que trabalham diariamente para isso”.

O Estado de São Paulo - Caderno Cidades – Ambiente