Latas,
saquinhos dos sanduíches do Mcdonald’s, celulares, panfletos
com propaganda política, embalagem de Viagra e todo tipo de lixo
que se possa imaginar vêm invadindo diariamente o espaço
recuperado pelo Projeto Pomar nas margens do Rio Pinheiros.
“Parte da população não tem a noção
exata da agressão que provoca ao jogar essas coisas”, aponta
o geógrafo Dagoberto Meneghini, coordenador-técnico do
Projeto Pomar – uma iniciativa do Jornal da Tarde, que recebeu
apoio das Secretarias Municipal e Estadual do Meio Ambiente e de empresas
privadas.
A cada semana, funcionários do Pomar retiram, em apenas um quilômetro
das margens do Pinheiros, uma caminhonete cheia de lixo.
“Os dias mais críticos são as segundas-feiras, quando
a quantidade de resíduos é ainda maior”, diz Meneghini.
Mas o que mais choca toda a equipe do projeto é a postura das
pessoas que juntam o lixo em um saquinho dentro dos carros e depois
simplesmente joga-lo pela janela. “O objetivo principal do projeto
é resgatar essa área, e quem mais se beneficia são
as pessoas que circulam nas Marginais. As mesmas que jogam o lixo pelas
janelas”, afirma o geógrafo.
Interesse – O núcleo de educação ambiental
do Projeto Pomar recebe diariamente dezenas de pessoas que querem conhecer
um pouco mais sobre o meio ambiente. Lá, a equipe do projeto
orienta essas pessoas a contribuir para a recuperação
do meio ambiente e o tratamento certo que deve ser dado ao lixo. “As
pessoas têm de pensar mais coletivamente, levar em conta a questão
da cidadania. Queremos que todos visitem o nosso núcleo para
despertar essa consciência e mostrar que precisamos da parceria
da população”.
O sistema de gestão ambiental do Projeto Pomar recebeu este ano
a certificação ISSO 14001, pois se preocupa com o uso
adequado dos recursos naturais e destino dos resíduos. “É
necessário que os cidadãos compactuem com a idéia
do projeto, de recuperar essa área historicamente degradada”,
afirma Meneghini. “É preciso respeitar o espaço
público e lembrar que se está verde e bonito, é
porque há pessoas que trabalham diariamente para isso”.
O
Estado de São Paulo - Caderno Cidades – Ambiente